Título: Gasto com educação puxa alta de 0,55% do IPCA em fevereiro
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Fonte: Gazeta Mercantil, 12/03/2009, Brasil, p. A4

12 de Março de 2009 - As despesas com educação responderam por 60% dos orçamentos das famílias neste início de ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por contar com uma metodologia diferente dos outros indicadores de inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) captou em fevereiro todos os gastos com material e matrícula escolar, o que resultou em um aumento de 4,77% do grupo Educação. Assim, o IPCA subiu 0,55% em fevereiro, taxa 0,07 ponto percentual superior à registrada em janeiro.

O índice de fevereiro veio dentro do intervalo de projeções que variava entre 0,45% e 0,57%. "Mesmo dentro das expectativas, o IPCA veio alto, mas vale destacar que 60% dessa inflação refere-se às despesas com educação, que praticamente zeram ao longo do ano", lembra Gustav Gorski, economista-chefe da Geração Futuro.

Se não fosse o peso dos preços administrados e os monitorados por contratos, a inflação brasileira estaria bem baixa como nos Estados Unidos, avalia o economista. "No Brasil, há uma inflação inercial. Isso porque 30% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) corresponde a despesas como aluguel, transporte e energia elétrica, que são preços reajustados apenas uma vez por ano, ou seja, o aumento realizado no ano passado vai influenciar a inflação ao longo deste ano", explica.

Segundo o economista, sem o peso dos administrados, a inflação já estaria próxima de zero. "Hoje, estamos vendo uma inflação convergindo para o centro da meta, o que afasta as preocupações do Banco Central (BC) quanto a isso. Com esse alívio, a autoridade monetária olha apenas para o lado produtivo, ou seja, a desaceleração da atividade econômica ganhou espaço na pauta das discussões sobre a política monetária", acredita.

O governo central fixou em 4,5% o centro da meta para inflação em 2009, podendo ficar 2 pontos percentuais para cima ou para baixo (2,5% ou 6,5%). No ano, o IPCA acumula alta de 1,03%; e de 5,9% em 12 meses.

Para março, o economista aposta numa queda pela metade. "Ainda é cedo para prever a inflação de março, mas acredito que caia pela metade como vimos em fevereiro", conclui Gorski.

Para os analistas da Rosenberg & Associados , a queda da taxa em 12 meses do IPCA, observada nos meses anteriores a fevereiro, deve se intensificar entre abril e junho deste ano. A consultoria afirma, em relatório, que, "definitivamente", a trajetória de desaceleração da inflação brasileira já está mais do que consolidada. "Neste IPCA [de fevereiro], pudemos ver o último suspiro da inflação ao consumidor no Brasil deste semestre, decorrente da defasagem temporal dos reajustes de Educação", diz.

Com exceção para Educação e Comunicação (0,05% para 0,15), todos os outros componentes do IPCA apresentaram recuo na passagem de janeiro para fevereiro, o que pode indicar que em março o bolso dos brasileiros terá um alívio. "Em fevereiro, o único grupo de destaque que apresentou avanço foi educação. Os outros todos caíram", afirmou a economista do IBGE Eulina Nunes. "Em março, o resultado de educação não vai se repetir e tudo vai depender mesmo da reação dos preços que serão praticados nos outros produtos."

Para a economista, o IPCA revelou que, apesar de pressões como a alta do dólar, o "momento difícil que o país vive" implica restrições ao aumento de preços por conta do avanço do desemprego, da dificuldade de acesso ao crédito e da cautela do consumidor.

Como exemplo, ela cita o movimento do setor de vestuário, que teve deflação de 0,24%, em fevereiro. "Os lojistas precisam de espaço para as novas coleções e a saída tem sido diminuir preços ou não praticar reajustes. Em fevereiro, continuaram as promoções de verão".

A alta do preço dos Alimentos e bebidas recuou de 0,75% para 0,27%, enquanto os produtos não-alimentícios tiveram acréscimo de 0,4% para 0,63%, em consequência da alta sazonal do grupo Educação. A maior parte dos grupos de produtos e serviços pesquisados apresentou desaceleração de preços de janeiro para fevereiro, a exemplo dos Transportes (de 0,35% para 0,24%), que tiveram influência do menor impacto do reajuste de tarifa de ônibus urbanos (de 3,24% para 1,03%). Habitação teve retração de 0,49% para 0,22%, Artigos de residência recuou de 0,45% para 0,28%, Saúde e cuidados pessoais passou de 0,55% para 0,46% e Despesas pessoais saiu de 0,65% para 0,31%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede o peso da inflação para famílias com rendimento entre 01 a 06 salários mínimos, subiu 0,31% em fevereiro. A taxa é inferior à registrada em janeiro, quando o indicador subiu 0,64%. Em fevereiro de 2008, o INPC atingiu 0,48%.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 4)(Vanessa Stecanella/ InvestNews - Com Agência Brasil)