Título: Previ registra perda de R$ 26,6 bi no ano passado
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Fonte: Gazeta Mercantil, 12/03/2009, Finanças, p. B5
Rio de Janeiro, 12 de Março de 2009 - O maior fundo de pensão do País, a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, sentiu em 2008 o peso de ter cerca de 60% do seu patrimônio em renda variável e registrou perdas de R$ 26,6 bilhões no ano passado, o que reduziu pela metade o superávit acumulado nos últimos anos. "Estamos pagando o preço da estratégia da locação em ações, que nos deu muito prazer nos anos anteriores", afirmou ontem a jornalistas o presidente da Previ, Sérgio Rosa.
Após pagamento de benefícios da ordem de R$ 6 bilhões e perdas com rendimentos e aplicações de R$ 15,3 bilhões, o patrimônio da Previ caiu de R$ 137,1 bilhões em 2007 para R$115,7 bilhões no ano passado. O superávit da entidade manteve-se positivo em R$ 26,3 bilhões, já que o patrimônio acumulado até o final de 2007 era de R$ 52 bilhões.
As perdas só não foram maiores, segundo Rosa, porque parte das aplicações em ações são feitas de maneira direta nas próprias empresas, como Vale, Neoenergia e CPFL, que podem ser consideradas no balanço da Previ pelo valor econômico e não de mercado. Com isso, a rentabilidade com renda variável ficou limitada a uma queda de 24,04%, enquanto o Ibovespa perdeu 41,22% em 2008. "Nós tínhamos 85% a mais de recursos para pagar nossos compromissos e agora temos 40% para pagar o nosso principal plano (Plano 1)", informou Rosa. O Plano 1 corresponde a 90% das obrigações da Previ.
Segundo Rosa, o destaque de 2008 foram as aplicações no mercado imobiliário, que teve rentabilidade de 21,61%, enquanto a renda fixa garantiu 12,23% de rendimentos.
A entidade, assim como os demais fundos de pensão, não conseguiu atingir a meta atuarial deste ano, mas, segundo Rosa, a queda de 11,49% de rentabilidade contra o ano passado não abala o fundo, que acumula desde 1999 rentabilidade de 957%.
"Considerando essa crise inusitada, bem longe dos consensos de mercado e considerando o tamanho da Previ e o tamanho da crise, e ainda o superávit que temos, nós passamos por um teste bastante importante, criamos reserva suficiente para aguentar perdas fortes", avaliou Rosa.
Para 2009, o executivo disse ver ainda um cenário de muita incerteza, o que vai levar a análises mais intensas e um estresse bem maior. "A opção no momento é se manter na espera, para ver como fica ... ainda há um cenário de muita incerteza, e isso é pior porque você fica pensando se deveria fazer movimentos estratégicos. Até ficar numa posição estável tem risco, vai ser um estresse muito maior", admitiu Rosa.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 5)(Reuters)