Título: Hidroelétricas do rio Madeira estão garantidas, diz Amorim
Autor: Aliski,Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 13/03/2009, Brasil, p. A14
Brasília, 13 de Março de 2009 - No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitava o local de construção das usinas hidrelétricas no rio Madeira, em Rondônia, o ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, cumpria agenda em Brasília. E a construção das usinas voltou à pauta, segundo confirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, em entrevista realizada ontem à tarde, com a presença de Choquehuanca. "Há preocupações bolivianas sobre os eventuais impactos", reconheceu Amorim, sem detalhar quais foram as reclamações. Mas o chanceler brasileiro aproveitou a oportunidade para deixar claro que as hidrelétricas vão, sim, ser construídas. "Temos convicção de que serão feitas essas hidrelétricas sem nenhum prejuízo, mas queremos que a Bolívia sinta-se à vontade e segura desse fato", afirmou Amorim.
Em relação ao mercado de gás natural, outro assunto sensível no relacionamento bilateral, Amorim se esquivou. "Não discutimos esse assunto hoje", disse. Em seguida, o ministro brasileiro lembrou que a Bolívia foi o único país em toda a região com o qual o Brasil encerrou 2008 com déficit comercial. O saldo negativo foi de US$ 1,7 bilhão. No ano passado, o Brasil exportou US$ 1,14 bilhão para a Bolívia e comprou do País vizinho US$ 2,86 bilhões, em uma pauta concentrada no gás natural.
Com isso, Amorim deu o recado de que o Brasil está fazendo a sua parte, enquanto a Bolívia está em posição privilegiada no comércio bilateral. Mesmo assim, Amorim disse que o Brasil está decidido a facilitar a venda de têxteis bolivianos, em um novo instrumento de apoio à economia do país vizinho. Segundo o chanceler brasileiro, a idéia é melhorar as condições de acesso de têxteis bolivianos em todos os países do Mercosul mas que, na falta de consenso do grupo, o Brasil vai agir sozinho nesse processo. "Se for necessário uma ação diferenciada, haverá. Ao curso deste mês haverá decisão", disse.
Questionado se seria solicitada a mediação de Lula para a aprimorar as relações da Bolívia com o presidente norte-americano Barack Obama (como fez o presidente venezuelano), Choquehuanca disse que não. "Sabemos que serão abordadas questões regionais, mas não há pedido expresso para isso", disse o chanceler boliviano. Os dois ministros assinaram uma série de documentos bilaterais. E falaram também sobre o início das operações do convênio de crédito entre Brasil e Bolívia, o qual prevê repasse de US$ 35 milhões para financiar a compra de máquinas agrícolas para a agricultura boliviana.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14)(Ayr Aliski)