Título: Compras de US$ 7,1 bi
Autor: Nunes, Vicente; Allan, Ricardo
Fonte: Correio Braziliense, 24/03/2011, Economia, p. 15

O Banco Central está atuando forte para tentar conter o derretimento do dólar. Em março, até o dia 18, a instituição comprou US$ 7,1 bilhões no mercado à vista e mais US$ 279 milhões no mercado a termo. Com as aquisições, as reservas internacionais alcançaram US$ 316,3 bilhões. Se o BC mantiver o ritmo nos nove dias úteis restantes do mês, de comprar uma média de US$ 394,7 milhões ao dia, engordará seu colchão anticrise do país em mais US$ 3,5 bilhões. Ou seja, no fim de março, terá adquirido US$ 10,6 bilhões, o maior montante para um mês desde setembro de 2010, quando a intervenção no câmbio chegou a US$ 10,7 bilhões.

A despeito dos esforços do BC ¿ ontem, fez mais um leilão de compra ¿, a moeda norte-americana manteve a trajetória de desvalorização, a quarta seguida. Fechou o pregão cotada a R$ 1,661, com queda de 0,12%, depois de ter operado durante quase toda o dia no terreno positivo. ¿O BC faz o que pode. É a função dele, mas, na verdade, não tem muito o que fazer¿, constatou Ricardo Lorenzet, analista da corretora XP Investimento.

Desde o início do ano, o país registrou a entrada líquida de US$ 34,6 bilhões, dos quais U$$ 24,4 bilhões foram retirados pelo BC. Quase a totalidade dos recursos ingressou via mercado financeiro, que, até o momento registra saldo positivo de US$ 30,8 bilhões e já supera todo o ano passado em 18,7%. O BC desconfia de que boa parte do dinheiro que vem para o país está disfarçada de investimento direto, voltado para a produção. Mas, na verdade, se refere a empréstimos de bancos e empresa no exterior, de olho no diferencial de juros aqui e lá fora.