Título: Apoio do Brasil
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 24/03/2011, Economia, p. 17

Ontem, antes da queda do primeiro-ministro português José Sócrates, o Palácio do Planalto confirmou a viagem da presidente Dilma Rousseff ao país para acompanhar homenagem da Universidade de Coimbra ao ex-presidente Lula. Dilma se reuniria com Sócrates no próximo dia 30. O ex-premiê prometeu, contudo, candidatar-se novamente ao cargo em eleições antecipadas, possivelmente no fim de maio ou início de junho. Ele deve concorrer com Petro Passos Coelho, líder do Partido Social-Democrata (PSD), de centro-direita.

Nos últimos dias, Coelho intensificou suas declarações destinadas aos mercados e a Bruxelas. Dizendo-se disposto a ¿colaborar¿ com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com a União Europeia (UE) como parte de um programa de ajuda, ele se comprometeu a reduzir o deficit fiscal português e a acelerar as reformas estruturais exigidas há meses. Para chegar a esse objetivo, Coelho se disse favorável à formação de um governo de maioria ampliada, ¿única maneira de impor novos sacrifícios¿ aos portugueses.

Greves Todos os partidos de oposição votaram pela rejeição das medidas de Sócrates, que fazem parte de um programa de estabilidade e crescimento para 2011-2014. Somente os socialistas, que possuem 97 assentos dos 230 do Parlamento, votaram a favor do plano de austeridade. Depois de a Grécia e a Irlanda terem recorrido à ajuda do FMI, a aposta dos analistas de mercado e especialistas é de que, até junho, Portugal peça ajuda estrangeira para não quebrar.

Além dos problemas na macroeconomia, o país ibérico também enfrentava ontem dores de cabeça no setor de transportes. No primeiro dia de uma série de greves para protestar contra a redução de salários imposta pelo governo, o tráfego ferroviário sofreu fortes perturbações. Devido à paralisação dos condutores de trens da Empresa Pública de Ferrovias (CP), nenhum trem circulou, com exceção dos que faziam o percurso internacional, indicou um porta-voz da companhia. Os ferrys também se encontravam em greve na capital e periferia. Para hoje, espera-se a parada dos metroviários da capital.