Título: Economia começa a se recuperar, diz Lula
Autor: Lorenzi,Sabrina
Fonte: Gazeta Mercantil, 19/03/2009, Brasil, p. A7
Rio de Janeiro, 19 de Março de 2009 - Depois de visitar os Estados Unidos e concluir que a recessão lá ainda não chegou ao fundo do poço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil foi o último país a sofrer com a crise e será também o primeiro a sair - fazendo coro com ministro da Fazenda, Guido Mantega. Entre os argumentos do presidente, a retomada do consumo de gás natural, de energia elétrica e de empregos no mês passado. O comércio brasileiro também reagiu, bem como a venda de automóveis.
Lula lembrou de algumas medidas que o governo estuda para estimular a economia, como alterações na poupança, no ritmo das obras públicas e nos preços dos combustíveis. Avisou, porém, que, antes de baixar o preço da gasolina (e do diesel), consultará as finanças da Petrobras porque a empresa é "importante para o superávit primário".
"Essa é uma reunião que nós temos que fazer com a Petrobras, o Ministro tem que conversar com a Petrobras, ver qual é a oportunidade de fazer isso sem causar nenhum problema à empresa, sem causar nenhum problema ao superávit, porque vocês sabem que a Petrobras contribui muito com o superávit primário que o governo faz. Então, com muita tranquilidade nós vamos discutir esses assuntos", disse, ao ser indagado sobre a diferença entre os preço do petróleo e dos combustíveis. Os derivados no País continuam no mesmo patamar mesmo depois da queda no mercado internacional.
Em outros países, como Estados Unidos, os valores ao consumidor acompanharam a cotação. O presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, por sua vez, argumenta que a Petrobras também não teve pressa para reajustar os preços quando o barril de petróleo batia sucessivos recordes no mercado. A empresa demorou para aumentar e, agora, também vai aguardar para baixar os preços dos derivados. Lula e Gabrielli visitaram o terminal de Gás Natural Liqüefeito, no meio da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
O marco regulátório para o pré-sal, que precisa de aval do legislativo, será em breve apresentado ao presidente. Segundo ele, o ministro Lobão já tem praticamente pronto o texto final. O governo quer exportar derivados e não petróleo, mas, para isso, vai ter que multiplicar a capacidade de refino, conforme antecipou este jornal.
Na ocasião, Lula comentou que a economia voltou a dar sinais de ânimo. "As empresas não estão mais demitindo, como demitiram no mês de dezembro. Eu tenho visitado obras, exatamente para provar que muitas obras do PAC estão trabalhando em dois turnos, em algumas eu quero que trabalhem em três turnos. Mesmo se ficar um pouco mais caro, nós temos que arcar com essa despesa porque o que nós precisamos é gerar emprego para o povo brasileiro".
O presidente admitiu que a crise é forte, mas que atinge com mais ímpeto os Estados Unidos e a Europa. "Na minha conversa com o presidente Obama ficou claro que ela não chegou no fundo do poço ainda, ficou claro que ele tem que tomar atitudes."
E voltou a cobrar dos países ricos mais intervenção do Estado na economia. "Cabe aos países mais ricos garantir que funcione corretamente bem o fluxo de financiamento para o comércio internacional (...) Eu não sei se o presidente Obama vai garantir essa credibilidade, se não tomar providências em alguns bancos. Sei que nos Estados Unidos a palavra ""estatizar"" e a palavra ""nacionalizar"" são um palavrão, mas nós temos exemplo aqui, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do BNDES, do BNB e do Basa que, bem administrados, funcionam de forma extraordinária e são garantes para que a gente tenha crédito."
Sobre mudanças na poupança, Lula reforçou que o governo não baixará o rendimento dos menores poupadores. "Nós não podemos permitir que as pessoas que têm seus R$ 50 mil, seus R$ 10 mil, seus R$ 15 mil, seus R$ 5 mil tenham prejuízo na caderneta de poupança. Nós precisamos criar um instrumento para garantir que os poupadores continuem colocando na sua poupança."
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Sabrina Lorenzi)