Título: Remessas na A. Latina recuam 13%
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Fonte: Gazeta Mercantil, 17/03/2009, Internacional, p. A18
WASHINGTON e Brasília, 17 de Março de 2009 - As remessas recebidas pela América Latina caíram até 13% em janeiro, dependendo do país receptor, o que aponta para uma redução significativa este ano desse dinheiro, vital para países como os da América Central e do Caribe, advertiu ontem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Durante o ano passado, a América Latina recebeu US$ 69,2 bilhões em remessas enviadas principalmente de EUA, Espanha e Japão, mas no quarto trimestre do ano passado houve uma queda desse dinheiro, indicou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno.
De acordo com dados preliminares, em janeiro deste ano, alguns países tiveram quedas de até 13% na recepção de remessas, com relação ao mesmo mês de 2008, disse Moreno.
O presidente do BID destacou que a situação pode se tornar crítica na América Central e o Caribe, onde há países em que as remessas representam até 20% do PIB. Segundo ele, a crise financeira atingiu os países industrializados nos ramos que tradicionalmente empregam grande número de imigrantes, como os setores da construção e manufatureiro, a hotelaria e restaurantes.
Em 2008, o país que mais recebeu remessas do exterior foi o México, com US$ 25,145 bilhões, seguido de Brasil (US$ 7,2 bilhões), Colômbia (US$ 4,842 bilhões), Guatemala (US$ 4,315 bilhões), El Salvador (US$ 3,788 bilhões), República Dominicana (US$ 3,111 bilhões), Peru (US$ 2,960 bilhões), Equador (US$ 2,822 bilhões) e Honduras (US$ 2,701 bilhões).
Retração na região
A economia da América Latina deverá contrair 4% este ano, seu maior recuo desde pelo menos 1980, uma vez que os governos do México ao Brasil têm pouco espaço para aumentar os gastos, segundo o Morgan Stanley. A instituição rebaixou a projeção anterior, que apontava uma contração de 0,5% para a região este ano. "É difícil avaliar a magnitude ou a duração do atual desaquecimento na América Latina" '', escreveram Gray Newman e quatro outros economistas para a América Latina do Morgan Stanley no relatório divulgado ontem.
"Estamos preocupados com o possível sofrimento da região - juntamente com o de outros mercados emergentes - decorrente do espaço muito mais limitado que possui para adotar uma política anticíclica." A atual recessão mundial, a primeira desde a Segunda Guerra Mundial, está sufocando a demanda pelos produtos de exportação da América Latina e reduzindo os preços das commodities. A região, cujas exportações vão desde petróleo até soja e minério de ferro, só vai se recuperar quando a economia mundial também voltar a crescer, disse Daniel Volberg, economista do Morgan Stanley em Nova York.
O Brasil, a maior economia da América Latina, deverá sofrer uma contração de 4,5% este ano, disse o Morgan Stanley. Será a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) do país desde o último período de pelo menos 61 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que iniciou a série anual do PIB em 1948.
O México, a segunda maior economia da região, deverá ser o mais afetado pela crise econômica mundial este ano, quando sua economia deverá recuar 5%, conforme o relatório do Morgan Stanley.
O PIB da Argentina deverá diminuir em 4,7%; a do Chile, em 1,4%; a da Colômbia, em 1,6%; e a da Venezuela, em 4%.
A economia do Peru será, provavelmente, a única das sete economias latino-americanas monitoradas pelo Morgan Stanley a registrar crescimento - que, segundo o banco, deverá ser de 0,9%.
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(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 18)(AFP e Bloomberg News)