Título: Renault terá novo plano de investimentos no Brasil
Autor: Staviski,Norberto
Fonte: Gazeta Mercantil, 18/03/2009, Transporte, p. C4
Curitiba, 18 de Março de 2009 - O vice-presidente comercial do Grupo Renault e diretor geral da Região Europa, Jérôme Stoll, disse que até o final do ano a empresa deverá anunciar um novo plano de negócios e desenvolvimento para o Brasil, semelhante ao Mercosul 2009, conduzido por ele nos últimos três anos com investimentos de R$ 1 bilhão, quando era diretor da Renault no Brasil e Mercosul. Este programa teve o desenvolvimento de seis modelos e foi encerrado na noite de segunda-feira passada com o lançamento do Symbol para substituir o Clio. "No Brasil sabemos o que fazer, mas no Mercosul nossa grande incógnita é o que irá acontecer na Argentina", afirmou durante o lançamento do novo veículo na capital paranaense.
O vice-presidente comercial da Renault do Brasil, Christian Pouillaude disse no lançamento que a Renault do Brasil está prevendo neste ano um resultado de vendas igual ao de 2008, com a comercialização de 115 mil veículos. Isso significa ganhos de participação - de 4,7% para 5 % - porque se espera uma redução do mercado de veículos no País aos mesmos níveis de 2007, com vendas de 2,4 milhões e unidades. "Certamente este não é um mercado de crise", comentou.
Acompanhado do novo presidente da Renault no Brasil Jean-Michel Jalinier, que está na empresa desde 1985 e ocupava o cargo de diretor geral da Renault na Rússia, Jérôme Stoll veio a Curitiba se despedir dos jornalistas que cobrem o setor e para participar do lançamento do Symbol, carro produzido na Argentina, e seu último projeto no País. Ele disse também que a rentabilidade da operação brasileira surpreendeu e deverá ficar muito acima dos 6% prognosticados para o grupo pelo CO mundial, o brasileiro Carlos Ghosn. "Neste momento nós estamos com todos os planos em stand by porque a preocupação do grupo é fazer caixa, e manter o cash flow positivo, mas acredito que a economia brasileira será a primeira a sair da crise e vamos anunciar novos planos para o País até o final do ano", contou Stoll. Ele disse que a Renault chamou 460 empregados com os contratos suspensos desde janeiro para voltar ao trabalho agora no final de março e espera que mais 400 funcionários sejam chamados no segundo semestre. A Renault fez um acordo inédito no País, suspendendo temporariamente os contratos de trabalho, ao invés de demitir seus empregados, com os salários sendo pagos em parte pela empresa e em parte pelo governo. "O retorno dos outros 460 afastados, entre outros fatores, depende um pouco da situação do governo manter a prorrogação da isenção do IPI", explicou Stoll.
Clio reestilizado
O Symbol, novo veículo lançado ontem, na verdade, é uma reestilização do Clio Sedã que retorna um pouco mais bonito e com sete centímetros a mais no comprimento, mas com as mesmas características de motorização(1.6 Hi-Flex 110 cv) e agora com todos os itens que antes eram opcionais como originais de fábrica. Isso inclui airbags duplos, direção hidráulica, vidros elétricos e a garantia de três anos, além do freio ABS opcional por mais R$ 1,5 mil.
O carro participa do mercado de sedãs compactos e chega as concessionárias neste final de março em dois modelos - Expression e Privilège - com preço parecido ao do Fiat Siena HLX 1.8 - R$ 43.300 com mais vantagens nos itens de segurança e também competindo com Fiesta Sedã 1.6 que parte de R$ 35.620, mas não tem nem vidros elétricos de série. Outro concorrente, o Polo Sedã 1.6, começa em R$ 43.310, mas se for equipado com todos os opcionais do Symbol Privelége, que com ABS sai por R$ 45.990, o VW vai custar R$ 53. 955.
A Renault do Brasil espera comercializar 700 unidades mensais do novo veículo, o que o mantém dentro das expectativas de mercado existentes para o Clio sedan que teve 12.927 unidades emplacas em 2007 e 4.031 em 2008. Segundo Vanessa Castanho, gerente de marketing da área de veículos médios da empresa, "a principal estratégia de mercado é buscar a fidelidade que achamos existir em 60 mil consumidores que já possuem o Clio e que vão gostar das novidades introduzidas no Symbol", explicou.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Norberto Staviski)