Título: Meirelles rebate analistas País crescerá acima das projeções
Autor: Aliski,Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 26/03/2009, Finanças, p. B5

Brasília, 26 de Março de 2009 - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, criticou ontem as apostas de mercado de que o Produto Interno Bruto (PIB) irá crescer somente 0,01% em 2009, conforme dados do Boletim Focus. "O crescimento deve ser superior a esta média de consenso do mercado, mas ainda não temos o número", disse Meirelles, ao final de audiência no Senado, realizada ontem. O dado será revelado, na semana que vem, no Relatório de Inflação do BC.

As projeções do mercado sobre o PIB deste ano também foram consideradas baixas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que chegou a criticar a previsão anunciada pelo BC e até pouco tempo insistia na meta de crescimento de 4%. Na semana passada, no entanto, o ministério do Planejamento revisou a estimativa de evolução do PIB, reduzindo a projeção de crescimento de 3,5% para 2%.

O presidente do BC afirmou que serão anunciadas ainda hoje novas medidas para promover a redução do spread bancário, em decisões a serem tomadas na reunião Conselho Monetário Nacional (CMN). "O conjunto completo de medidas começará a ser anunciado mas não se esgotará em um dia, até mesmo porque envolvem medidas de ordem legislativa", declarou. Aos senadores, Meirelles falou também sobre os problemas trazidos pela queda da Selic, como a iminente necessidade de mudar a remuneração da poupança, vinculada à Taxa Referencial de Juros (TR).

Sobre a TR, Meirelles falou que a queda da Selic traz questionamentos não apenas quanto à remuneração da poupança, mas também a outras operações, como contratos habitacionais e correção de planos de fundos de pensão. "É um desafio que tem de ser equacionado. É uma herança da indexação de uma economia preparada para trabalhar com alta inflação." O dirigente frisou que mudanças na remuneração da poupança, entretanto, dependem de aprovação do Legislativo.

Cobrado por soluções que promovam a redução do spread bancário (diferença entre as taxas de captação e de repasse do dinheiro), Meirelles mais uma vez deixou parte da responsabilidade para os parlamentares. Segundo ele, a aprovação do Cadastro Positivo é fundamental para reduzir as taxações dos bancos. "Não tenho dúvida de que o cadastro positivo terá papel decisivo", afirmou.

Para titular do BC, há um clima de vigilância global que evita tombos ainda mais fortes, admitindo que existe um recrudescimento da crise. "Mas não vejo uma segunda onda à la falência do Lehman Brothers. As autoridades governamentais não deixariam quebrar uma instituição sistemicamente importante." Meirelles acentuou que o compro-misso para alcançar a estabilidade foi firmado entre os países reunidos em torno do G20. "Agora é preciso esperar para ver como as medidas implementadas vão funcionar." Tratando de impor otimismo, reafirmou que "o Brasil está sentindo agora os efeitos mais fortes dessa crise, mas que os efeitos serão menores e de duração mais curta no País".

Meirelles lembrou que em fevereiro a média diária de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACCs) foi de US$ 146 milhões, ante US$ 114 milhões, em janeiro. "Sinal da recuperação da economia."

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 5)(Ayr Aliski)