Título: PanAmericano diversifica no crédito
Autor: Nascimento, Iolanda
Fonte: Gazeta Mercantil, 08/04/2009, Finanças, p. B1
São Paulo, 8 de Abril de 2009 - O Banco PanAmericano, que o mercado avalia ser uma das "noivas" mais cobiçadas do momento, aposta parte de suas fichas de crescimento neste ano no segmento de pessoas jurídicas, aliado a uma agressiva estratégia de marketing a fim de elevar também a carteira de pessoas físicas, particularmente, no crédito consignado, e atrair investidores.
Hoje, a instituição controlada pelo Grupo Silvio Santos tem atuação tímida na área de crédito às empresas - que mal ultrapassa os R$ 100 milhões em linhas de conta garantida - e centrada, principalmente, em operações casadas com alguns fornecedores. O objetivo é expandir forte essa atuação, aproveitando o potencial dos cerca de 20 mil parceiros comerciais que o banco tem, e chegar ao final de 2009 com um volume próximo de R$ 1 bilhão de estoque no middle market, segmento de médias e pequenas companhias que será o foco do banco, explica Rafael Paladino, diretor-superintendente do PanAmericano.
O executivo afirma que, pela sua expertise no crédito, o banco tem uma possibilidade fantástica de crescimento ao diversificar os negócios. "Tem tanto banco crescendo na pessoa jurídica, por que não podemos fazer as duas coisas?", questiona. Paladino acredita também que há um bom espaço de expansão no mercado de empresas de médio porte. "Por causa da consolidação do setor, que enxuga o dinheiro do mercado, hoje existem várias companhias boas que estão sem acesso ao crédito e perderam seus limites com as fusões", diz o executivo, para quem a escassez da liquidez, ocasionada pelo agravamento da crise financeira mundial a partir de setembro do ano passado, também afetou esse segmento.
Com o aprofundamento da crise, os bancos de médio e pequeno portes, como o próprio PanAmericano, enfrentaram problemas para captar recursos, o que atingiu a oferta de crédito para as empresas menores, mais assistidas por essas instituições. Os bancos pequenos representam cerca de 20% das operações de crédito no Brasil, percentual que pode ter caído à metade por causa da crise, avalia Paladino. "Os bancos grandes não conseguem cobrir os nichos que os menores atendem e, se esse percentual perdido for restituído, o sistema financeiro brasileiro voltará à normalidade."
Na opinião de Paladino, o governo está pró-ativo no restabelecimento da circulação do dinheiro na economia. A última medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) nesse sentido já está surtindo efeitos, afirma. A medida, anunciada no final de março, permite ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a partir deste mês, garantir depósitos a prazo até R$ 20 milhões, por cada pessoa física e jurídica. Com isso, os investidores estão retornando aos bancos menores, que agora oferecem garantias similares aos dos grandes, diz Paladino, observando que em apenas um semana o PanAmericano já captou cerca de R$ 500 milhões em recibos de depósito bancário (RDB), os papéis garantidos pelo FGC, a uma "taxa interessantíssima", em torno de 110% a 112% do CDI, excluindo a contribuição para o FGC, de 1% ao ano sobre o total captado.
Com a diversificação, a instituição desenha vários produtos para atuar no mercado de pessoas jurídicas e oferecerá linhas de capital de giro e de descontos de duplicata, entre as mais importantes. Já está disponível este mês uma linha de antecipação de recebíveis voltada para pequenas e médias empresas que trabalham com a bandeira Visa de cartões. O banco de compromete a pagar à vista os recebíveis desses cartões de crédito e a operação pode ser realizada, e acompanhada, pela internet.
Paladino explicou que o plano de transformar em área de negócio o crédito às pessoas jurídicas começa por São Paulo, mas até o final de 2009 a ideia é implantar o serviço nas principais capitais e cidades brasileiras, em cerca de 90 lojas da rede, que hoje tem um número próximo de 200 e cobre em torno de 90% do mercado brasileiro. O banco já tem hoje perto de 30 profissionais dedicados à área, equipe que crescerá para cerca de 100 pessoas até o final do ano.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Iolanda Nascimento)