Título: Fluxo de dólares limita alta na cotação
Autor: Simone ; Bernardino, Silva
Fonte: Gazeta Mercantil, 08/04/2009, Finanças, p. B2
8 de Abril de 2009 - A instabilidade externa e o sentimento de aversão a risco estimularam as ordens de compra de dólares por boa parte desta terça-feira. No entanto, o fluxo financeiro limitou o movimento. O dólar chegou a subir mais de 1%, mas fechou praticamente estável, vendido a R$ 2,218. O economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, avalia que depois de subir mais de 5% recentemente, o dólar buscou espaço para se ajustar. "A moeda está trabalhando abaixo do que o mercado esperava, entre a faixa de R$ 2,25 a R$ 2,30 e por isso resiste em cair mais", comenta. Por outro lado, a expectativa é de que o fluxo volte gradualmente. "O Brasil está bem preparado e quando as economias voltarem a melhorar, seremos um dos primeiros a retomar o crescimento, por conta das commodities", observa.
Ao longo do dia, os movimentos de realização de lucro nas bolsas contribuem com a trajetória do câmbio. "Passada a euforia com o G-20, não vejo motivos para a bolsa continuar subindo. Os investidores estão à espera de fatos novos para voltar a alavancar os negócios", destaca. Neste ano, a bolsa paulista se valoriza 16,7%. Apenas em abril, a alta é de 7,1%. Novos sinais de aprofundamento da recessão global e as perdas no setor bancário, puxada pela mais recente estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que os prejuízos para os bancos com ativos tóxicos podem chegar a US$ 4 trilhões, levaram as principais bolsas de valores para o vermelho. As expectativas negativas em relação à temporada de balanços referentes ao primeiro trimestre deste ano também deram sua contribuição para o pessimismo.
No pregão futuro da BM&F Bovespa, as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de longo prazo seguiram o clima de cautela. No curto prazo, as taxas tiveram leve queda reagindo ao resultado do IGP-DI que ampliou a deflação na passagem de fevereiro para março, caindo de -0,13% para - 0,84%. O contrato de DI com vencimento em julho recuou de 10,24% para 10,22% ao ano. Na ponta mais longa da curva, o contrato de DI com resgate em janeiro de 2012 avançou de 10,88% para 10,96% ao ano. Diante da desaceleração da atividade doméstica e de uma inflação comportada, os analistas acreditam que o BC continuará promovendo cortes mais agressivos na taxa básica de juros Selic, atualmente em 11,25% ao ano.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 2)(Simone e Silva Bernardino e Maria de Lourdes Chagas/ InvestNews)