Título: Protógenes deve ser punido
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Fonte: Gazeta Mercantil, 07/04/2009, Brasil, p. A7
Rio de Janeiro, 7 de Abril de 2009 - O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz pode ser punido caso se comprove que ele fez campanha para um candidato em 2008, disse ontem o diretor-geral da instituição, Luiz Fernando Corrêa. Ele declarou que a corregedoria da instituição está investigando o caso.
"Segundo consta tem uma participação dele (Protógenes Queiroz) em um programa eleitoral. A corregedoria está instaurando um procedimento, e o final desta história só com a conclusão do relatório", disse a jornalistas no Rio de Janeiro, onde participou com o ministro da Justiça, Tarso Genro, de um evento do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania).
"Se participou sim (cometeu a infração contra o regimento), nós servidores públicos não podemos nos envolver em campanhas partidárias ou termos atuações partidárias", acrescentou o diretor. Pelo regimento interno da corporação, em casos extremos, uma falta pode até mesmo levar à expulsão do delegado, de acordo com assessores da Polícia Federal.
Protógenes comandou no ano passado a operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, do empresário Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. O delegado foi afastado das investigações acusado de utilizar meios ilegais como escutas telefônicas não autorizadas pela justiça para as investigações.
Nos últimos dias o nome de Protógenes foi cogitado para uma candidatura em 2010. O próprio delegado não descarta a possibilidade ao afirmar em alguns eventos que, embora não seja candidato, admite que haja uma pressão popular para que concorra um cargo legislativo em 2010. "Qualquer cidadão tem direito a buscar um caminho, mas tudo no seu momento e observando os procedimentos", declarou
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, criticou ontem o comportamento "midiático" da PF e acusou a instituição de promover inquéritos precários que prejudicam o trabalho do Judiciário.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 7)(Reuters)