Título: México volta ao normal mas economia registra efeito da gripe
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Fonte: Gazeta Mercantil, 06/05/2009, Internacional, p. A11
Cidade do México, 6 de Maio de 2009 - Pela primeira vez, um congestionamento é bem-vindo na capital mexicana.
Automóveis ocuparam ontem o Paseo de la Reforma, principal avenida que corta a cidade, pela primeira vez em dias, após o fim da paralisação nacional que procurou conter a disseminação do novo vírus gripal. Isto foi um sinal de que uma das maiores cidades do mundo estava gradualmente voltando ao normal. A população estava pronta para reabrir lojas, restaurantes e negócios na manhã de hoje.
As universidades e escolas do ensino médio serão reabertas amanhã, os alunos do ensino fundamental devem voltar às aulas na próxima segunda-feira.
Ao mesmo tempo em que o vírus, oficialmente chamado de influenza A (H1N1), continua a se espalhar pelos Estados Unidos e o resto do mundo, percebeu-se que ele é muito menos mortal do que se temia no início da epidemia. No México, onde aparentemente teve início, o número de novos casos começou a cair e o presidente Felipe Calderón abaixou o nível nacional de alerta na segunda-feira passada.
Há no país 866 casos confirmados e 26 mortes, segundo dados das autoridades do país. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) listou 29 óbitos.
As autoridades mexicanas buscam equilibrar os riscos de propagação do vírus e custos econômicos que isto implica. O impacto do vírus sobre a indústria local, incluindo o turismo, gerou prejuízos de aproximadamente US$ 2,3 bilhões, ou entre 0,3% e 0,5% do PIB, informou ontem Agustin Carstens, ministro da Fazenda.
"Sabemos que poderia haver um leve ou pequeno aumento no número de casos, mas também temos consciência da importância de reativar a economia e do retorno à normalidade da vida cotidiana para todos os mexicanos", disse o ministro da Saúde, José Ángel Córdova, na tarde de segunda-feira.
Em vez de fechar escolas, disse , autoridades disseram que os pais deveriam manter em casa os filhos que apresentem quaisquer sintomas, e que os professores vão ficar de olho na saúde dos alunos. Mas bares, clubes noturnos, cinemas e teatros, contudo, vão permanecer fechados até segunda ordem.
Limpeza geral
"Estamos voltando lentamente à normalidade", disse ontem o presidente Felipe Calderon, na TV, afirmando que o México protegeu toda a humanidade contra a propagação do novo vírus. Uma grande operação de limpeza foi realizada em bares, restaurantes, transportes públicos e escolas. "Foi tudo limpo e desinfetado: paredes, pratos, copos, mesas e cadeiras", disse Lourdes Ramirez, do restaurante De la Condesa, na capital.
Limitar o surto
Em todo o mundo, as autoridades de saúde estão tomando várias medidas para tentar limitar o surto, enquanto os casos confirmados continuam a aumentar.
Ontem em Genebra, a Organização Mundial da Saúde disse que 1.490 casos haviam sido confirmados em 21 países, em comparação com os 1.085 casos no mesmo número de países um dia antes.
Funcionários do Centro de Controle e Prevenção de Doenças disseram que acreditavam que a doença não era tão letal ou severa quanto achavam inicialmente que seria, e recomendaram ontem que as escolas com casos confirmados não fechassem mais suas portas.
Em Illinois, o número de infecções confirmadas subiu mais de 10 vezes no espaço de 24 horas, elevando-se de oito casos na segunda-feira para 82.
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(The New York Times e AFP)