Título: Mercados emergentes voltam a atrair recursos estrangeiros
Autor: Rosa,Silvia
Fonte: Gazeta Mercantil, 06/05/2009, GazetaInveste, p. B3
São Paulo, 6 de Maio de 2009 - Passado o período mais agudo da crise no mercado financeiro internacional, os investidores estrangeiros já começam a aumentar suas exposições ao risco e olhar novamente para as alocações nos mercados emergentes. Segundo a consultoria EPFR Global, os mercados emergentes receberam mais de US$ 1 bilhão na semana passada, elevando o total captado no ano para US$ 10,5 bilhões.
O Brasil, na opinião dos gestores de fundos, tem se destacado como um dos principais destinos desses recursos, apresentando uma condição econômica sólida, que permitiu suportar os efeitos da crise financeira. Prova disso é fluxo positivo de recursos estrangeiros para a bolsa brasileira, que fechou abril, até o dia 29, com saldo positivo de R$ 3,54 bilhões, acumulando no ano saldo positivo de R$ 4,88 bilhões, que impulsionaram o Ibovespa que apresenta no ano valorização de 34,93%
Com o baixo retorno dos fundos de money market, que fazem investimentos em renda fixa de baixo risco e de curto prazo e acumulam perda de US$ 55 bilhões neste ano, os investidores estrangeiros têm procurado diversificar seu portfólio alocando em ativos de mercados emergentes.
A Sparta Group, family office baseada em Boston nos Estados Unidos que faz a gestão de fortunas, é um dos investidores que pretendem começar a atuar no Brasil. A intenção, segundo o diretor de gestão da companhia, Nirav Desai, é aplicar cerca de 3% a 4% do portfólio sob gestão, que soma US$ 1 bilhão, no mercado brasileiro. "Estamos olhando investimentos nos setores de energia, agricultura e mineração, principalmente em companhias abertas, cujo valor de mercado na bolsa está muito atrativo", diz Desai durante evento Alternative Investment Summit Brasil 2009, promovido pela Terrapinn.
Desai afirma que a Sparta também tem interesse em investir em private equity no Brasil, cuja participação na carteira é de cerca de 20%. A family office tem cerca de 20% da sua carteira alocado em mercados emergentes, com destaque para alguns países do grupo Bric como China, que responde por 3% dessas alocações, e Índia, representando 5% desses investimentos.
Desai ressalta que o Brasil se destaca entre os emergentes dado a relevância de seu mercado interno e a presença de empresas globalmente competitivas como a Petrobras.
O sócio-responsável pelas vendas institucionais da Credit Suisse Hedging-Griffo, Luis Vicente d¿Amato, também confirma o maior interesse dos estrangeiros por ativos brasileiros. "O Brasil voltou a ser foco dos estrangeiros quando se trata de investimentos alternativos, principalmente de hedge funds e private banks."
A Credit Suisse Hedging-Griffo lançou em janeiro um fundo de renda fixa offshore, que investirá principalmente em títulos pós-fixados, Letras Financeiras do Tesouro (LFT), cujo retorno é atrelado à taxa de juros. "Nossa taxa de juros continua sendo uma das mais altas do mundo, o que permite obter um alto retorno mesmo em papéis de risco de crédito soberano", destaca d¿Amato.
Segundo ele, o fundo, que já captou US$ 15 milhões, poderá oferecer um retorno em reais de cerca de 11,5%, sem hegde, ou taxa Libor mais 1,5% a 2% , já considerando o hedge. "Nós esperamos uma valorização de 10% do real neste ano, o que poderia gerar um retorno em dólar de cerca de 20% a 25%", diz d¿Amato.
O executivo atribui o recente movimento de alta da bolsa às notícias positivas em relação à economia chinesa. No domingo, os países da Ásia anunciaram a criação de um fundo de emergência de US$ 120 bilhões para garantir liquidez aos países da região.
Impacto para hedge funds
No ano passado, os hedge funds apresentaram uma perda de 18,3%, prejudicados pela queda no mercado acionário e pelas perdas com papéis de crédito privado, segundo dados do Hedge Fund Research. Em 2007, os hedge funds apresentram ganho de 9,9%.
A perda com alguns investimentos e o aumento dos saques por parte dos investidores reduziram o patrimônio dessa indústria de US$ 1,9 trilhão em junho de 2008 para US$ 1 trilhão no final do ano passado.
O patrimônio da indústria brasileira de fundos soma atualmente cerca de R$ 1,157 trilhão, sendo que R$ 273 bilhões estão alocados em hedge funds. No ano passado, esses fundos foram um dos mais impactados com a crise financeira, registrando saídas líquidas de R$ 54,6 bilhões, com a migração dos investidores para ativos de menor risco.
O sócio-diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo, Luis Stuhlberger, afirma que o Brasil tem se destacado entre os países emergentes na crise. Stuhlberger ressalta como pontos positivos do País a estabilidade financeira, com a redução da relação dívida/PIB, aumento das reservas internacionais, manutenção da inflação sob controle, e uma diversificada pauta de exportações, além de uma eficiente regulação do mercado financeiro. "O Brasil não é mais `uma república das bananas ¿ que se as commodities caíssem voltaríamos aos anos 90."
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Silvia Rosa)