Título: Economia americana reage contratando
Autor: Greenhouse,Steven
Fonte: Gazeta Mercantil, 07/05/2009, Internacional, p. A12

7 de Maio de 2009 - Todos conhecem as notícias mais sombrias - o desemprego nos Estados Unidos avançou para 8,5%, a maior alta em 25 anos, e se encaminha para os dois dígitos. Desde novembro, as pessoas no país perderam mais de 3 milhões de postos de trabalho.

Entretanto nem todos conhecem o lado mais otimista da equação: no âmago da mais profunda recessão desde a Grande Depressão, milhões de pessoas continuam a ser contratadas.

Portanto, embora 4,8 milhões de trabalhadores tenham sido demitidos ou escolheram deixar seus empregos em fevereiro, os empregadores por todo o território nacional contrataram 4,3 milhões de funcionários naquele mês, segundo o Bureau of Labor Statistics.

"O melhor que se pode dizer sobre esses números é que proclamam o dinamismo da economia dos EUA", disse Robert J. Barbera, principal economista da ITG, empresa de pesquisa e comércio. "Noventa entre cem pessoas que conhecem os números - 650 mil ficaram sem emprego em fevereiro - consideram que isso significa que ninguém foi contratado e 650 mil foram demitidos, ponto final."

Em fevereiro - antes que a economia começasse a demonstrar os primeiros débeis sinais de uma possível recuperação - havia 3 milhões de novos postos de trabalho em todo o país. E apesar de novas demissões serem provavelmente anunciadas amanhã, ainda existem milhões de vagas.

Quem está contratando? Hospitais, colégios, lojas de descontos, restaurantes e órgãos públicos municipais. IBM contrata mais de 700 pessoas para seu novo centro de serviços técnicos em Dubuque, Iowa, enquanto a Cleveland Clinic oferece 500 vagas, não apenas para enfermeiras mas também para ajudantes de farmácia e fisioterapeutas. E depois que o pacote de incentivo do presidente Barack Obama entrar nos eixos, os governos locais e empreiteiros de construções de estradas deverão aumentar o número de contratações.

Zachary Schaefer empregou 72 pessoas desde fevereiro para o restaurante Culver que serve hambúrgueres, e que acabou de inaugurar com vários sócios em Surprise, Arizona. "A quantidade de pessoas que se candidataram e que estão qualificadas é sem dúvida maior" em comparação com os esforços anteriores de contratação, disse Schaefer. "Enquanto antes contávamos com um monte de candidatos com o segundo grau, no momento existe um número maior de pessoas de meia idade se candidatando."

Eddie Hamm, ex-operário de construções, estava desempregado havia cinco meses quando passou pelo local onde o Culver abriria suas portas. Hamm, de 29 anos, candidatou-se para um emprego ali, e agora é "um ajudante de cozinha."

"Estou feliz por ter conseguido um emprego. Não queria ficar em casa sem fazer nada", explicou, sem se queixar muito por estar ganhando metade dos US$ 15 por hora que recebia no setor de construção. "Não fico pensando que só ganho US$ 7,50. Penso que estou empregado em época de crise, e é um emprego onde poderei progredir."

Economistas e consultores dizem que sem dúvida os empregos existem, embora não em número suficiente para todos. Com 13,2 milhões de pessoas desempregadas, existem 4 1/3 norte-americanos sem trabalho para cada vaga que surge. "É preciso enfrentar uma concorrência maior para cada emprego, mas a realidade é que está se contratando muito", disse Andrew M. Sum, diretor do Center for Labor Market Studies, centro de estudos do mercado de trabalho na Northeastern University. "Você não conseguirá nada a menos que se candidate."

Mesmo os setores que foram muito afetados estão contratando bastante. Segundo o Bureau of Labor Statistics, as companhias construtoras contrataram 366 mil trabalhadores em fevereiro, e as manufaturas, 249 mil. As companhias de varejo empregaram 536 mil funcionários em fevereiro, porém esse número foi 25% inferior em relação a fevereiro anterior.

Algumas vagas de emprego são para substituir aposentados, outras para tomar o lugar de funcionários que saíram para assumir outros empregos, mas muitas vagas são resultado da expansão. Companhias que ainda estão crescendo são beneficiadas com candidatos talentosos.

"É mais fácil contratar na recessão - temos cerca de cinco candidatos para cada cargo", disse Howard Glickberg, principal proprietário da Fairway Market, conhecida empresa do setor de mercearia com sede em Manhattan.

Fairway acaba de contratar 350 pessoas para sua loja inaugurada há um mês em Paramus, N.J., a primeira da rede fora do estado de Nova York. A companhia pretende adicionar 1,2 mil funcionários a mais nos próximos dois anos, com a inauguração de novas lojas.

O maior empregador do setor privado do país, o Wal-Mart, também está contratando em abundância. O Wal-Mart, com 1,4 milhão de trabalhadores em todos os EUA, contrata várias centenas de milhares de trabalhadores a cada ano devido à rotatividade dos empregados, e espera aumentar sua força de trabalho doméstica em quase 50 mil este ano, graças a planos para abrir 150 novas lojas. Shawnalyan Conner vai administrar um centro de contratações para o Wal-Mart que planeja contratar 350 pessoas.

O setor de saúde tem-se mantido firme no que se refere a contratações. A faculdade de medicina da Universidade de Miami, que administra três hospitais, tem 250 vagas e está contratando cerca de 35 pessoas por mês, em comparação com as 100 contratadas por mês nos bons tempos. A Cleveland Clinic tem 500 vagas de emprego, em comparação com as 2 mil em tempos melhores.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 12)(Steven Greenhouse The New York Times)