Título: Opportunity critica indiciamento de Dantas
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Fonte: Gazeta Mercantil, 08/05/2009, Brasil, p. A11
Brasília, 8 de Maio de 2009 - Em nota à imprensa divulgada ontem, o grupo Opportunity reclamou do indiciamento do banqueiro Daniel Dantas pela Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados. Segundo o grupo, o indiciamento "é arbitrário e não tem correlação com a verdade", servindo para "acobertar aqueles que, de fato, praticaram as alegadas ilegalidades no Brasil".
De acordo com o Opportunity, a Kroll - empresa contratada pela Brasil Telecom - não interceptou ilegalmente a Telecom Itália. A suposta espionagem feita pela Kroll foi investigada pela Polícia Federal na operação que recebeu o nome de Chacal.
"Se a CPI das Escutas Telefônicas quiser apurar de onde vieram essas falsas acusações contra o senhor Daniel Dantas é conveniente examinar o processo italiano, onde existe acusação de fraude e de interceptações ilegais no Brasil. Os crimes foram praticados pelo grupo de espiões arregimentado pela Telecom Itália, que fez o que o acusam o senhor Daniel Dantas de ter feito", diz a nota.
Em seu depoimento à CPI dos Grampos em abril deste ano, o banqueiro Daniel Dantas disse que não ordenou a instalação de grampos ilegais pela Kroll e alegou que a Operação Chacal teria sido "encomendada" pela Telecom Itália à Polícia Federal. Segundo Dantas, a empresa do setor telefônico italiano teria interesse em prejudicar a Brasil Telecom na disputa pelo setor de telefonia no Brasil.
Na nota, o Opportunity acusa a Telecom Itália de ter feito interceptações telefônicas ilegais contra o banqueiro e executivos do grupo e afirma que as evidências usadas para originar a Operação Chacal "foram produtos de fraude".
O relatório aprovado ontem pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas da Câmara dos Deputados recebeu críticas por ter deixado de fora dos pedidos de indiciamentos o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz e o ex-diretor da Agência Bra-sileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda.
"O governo tem maioria aqui e não desejaria que seus agentes públicos fossem indiciados", disse o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 11)(Agência Brasil)