Título: Perfil das exportações só melhora em 2010
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 13/05/2009, Brasil, p. A5

BRASÍLIA, 12 de Maio de 2009 - A tendência de participação crescente dos produtos básicos na pauta de exportações brasileiras só deve se reverter a partir do segundo semestre de 2010, avalia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Esse é o tempo estimado para uma retomada da demanda dos Estados Unidos e da Europa - que despencou com o agravamento da crise -, e também para que o Brasil recupere fatias de mercado perdidas para produtos asiáticos na América do Sul. "Hoje as commodities estão segurando a balança comercial brasileira, mas no médio prazo tem que ter uma estratégia para diversificar isso", afirmou ontem o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. "Isso é reversível, mas é reversível a médio prazo", acrescentou, citando o segundo semestre de 2010.

Barral disse não estar ainda preocupado com a recente desvalorização do dólar frente ao real. Desde o início de março, o dólar caiu 15,7% frente à moeda brasileira. Ainda assim, o real perdeu cerca de um terço do seu valor frente a agosto do ano passado. Para o secretário, esse movimento tende a ser temporário. "Risco de choque no câmbio é a elevação dos preços das commodities, o que não é esperado." Ele frisou que um dólar cotado a R$ 2 ou mais garante a competitividade dos produtos brasileiros.

Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações brasileiras de manufaturados despencaram 28,7% frente ao mesmo período de 2008, para US$ 19,6 bilhões . Os embarques de produtos básicos registraram valor recorde de US$ 17,2 bilhões, com alta de 8,7%. Com isso, a participação dos produtos básicos na pauta de exportações do Brasil cresceu para 39,6% no quadrimestre, frente a 30,4% no mesmo período de 2008. Já a participação de industrializados caiu para 58,2%, contra 66,8%

Esse desempenho acompanhou um crescimento da participação das vendas para a Ásia, principalmente para a China, que superou pela primeira vez os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil. As exportações para a China saltaram 66,7% no quadrimestre, por conta de minério de ferro, soja em grão, celulose e siderúrgicos. Já para o Mercosul, Estados Unidos e América Latina e Caribe as vendas caíram respectivamente 39,4% , 34,5% e 28%.

Barral aposta que grande parte da recuperação das vendas de manufaturados se dará com o arrefecimento da crise, aguardado para a segunda metade do próximo ano.

Desempenho semanal

O superávit comercial chegou a US$ 547 milhões na primeira semana de maio, resultado de exportações de US$ 2,923 bilhões e importações de US$ 2,376 bilhões. No ano, o saldo é de US$ 7, 269 bilhões, 68,1% superior ao registrado de janeiro até a primeira semana de maio de 2008.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Reuters)