Título: Crise impacta resultados da BM&F Bovespa
Autor: Rosa,Silvia
Fonte: Gazeta Mercantil, 14/05/2009, Finanças, p. B3

São Paulo, 14 de Maio de 2009 - O agravamento da crise financeira mundial impactou o lucro líquido da BM&F Bovespa no primeiro trimestre deste ano, que apresentou queda de 1,4% comparado com o resultado do mesmo período do ano passado, somando R$ 226,98 milhões, com a redução dos volumes negociados no mercado acionário e de derivativos.

Desconsiderando os efeitos de R$ 18,8 milhões das despesas com o plano de opções e R$ 12,6 milhões do impacto líquido de impostos dos custos com desligamento de funcionários, o lucro líquido ajustado foi de R$ 258,34 milhões, ganho de 12,2% em relação ao primeiro trimestre de 2008. No período a bolsa apresentou queda de 20,1% da receita líquida, que somou R$ 316,55 milhões.

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da BM&F Bovespa, Carlos Kawall, a queda das receitas foi bastante impactada pela crise, mas já vem apresentando um aumento com o retorno dos investidores estrangeiros, cujo fluxo foi positivo em R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre de 2009, e aumento do volume negociado no mercado de derivativos. O volume médio diário negociado no segmento da BM&F, que respondeu por 36,1% da receita operacional, apresentou queda de 16,2% no primeiro trimestre de 2009 comparado ao mesmo período de 2008, e crescimento de 19% em relação ao quarto trimestre de 2008.

A bolsa aposta no aumento do roteamento de ordens via DMA (direct market access) - que permite acesso direto ao ambiente eletrônico de negociação em bolsa, tanto pela rede de comunicação das instituições intermediárias, quanto via o acordo de roteamento com a CME Group - cuja participação no volume negociado de derivativos alcançou 6,7% em abril.

Kawall destaca que fluxo de ordens entre os sistemas GTS e Globex - plataformas eletrônicas de negociação da BM&F Bovespa e do CME Group respectivamente- tem apresentado crescimento, respondendo por 0,6% do volume negociado no mercado de derivativos. Já os algorithmic traders, que utilizam a aplicação de algorítmos para realizar arbitragem de preços dos ativos e roteamento de ordens, representaram 0,3% do volume total no período. "A participação desses investidores representa de 30% a 40% do volume negociado nas bolsas internacionais e tem grande potencial para crescer no Brasil."

A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) somou R$ 176,739 milhões no primeiro trimestre, com redução de 34,8%. A margem Ebitda ficou em 55,8% ante 68,5% dos três primeiros meses de 2008.

As perdas das empresas com "derivativos tóxicos" também devem favorecer o aumento das negociações em bolsa. "Após a quebra do Lehman Brothers, alguns investidores estrangeiros que negociavam ações da BM&F Bovespa no exterior via swap oferecido por bancos estão investindo diretamente no mercado brasileiro via a Resolução 2689", diz Kawall. A própria BM&F Bovespa tem planos de aperfeiçoar os instrumentos de registro no seu mercado de balcão organizado, agregando serviços como marcação diária dos ativos e divulgação das posições de risco. A bolsa prepara o lançamento de um novo produto que permite às empresas realizarem hedge sob medida.

Integração das bolsas

O resultado financeiro da bolsa contou com os efeitos da amortização do ágio de R$ 245,5 milhões relativo a fusão das duas bolsas, e que resultou em ganho fiscal de R$ 79,6 milhões. Segundo Kawall, o ágio gerado com a fusão poderá ser amortizado nos próximos 10 anos.

As despesas operacionais ajustadas apresentaram queda de 17,4% no primeiro trimestre devido à redução de custos com as sinergias geradas pela operação (excluindo os impactos da depreciação, custos de rescisão e do plano de opções). Segundo Kawall, a redução em 30% do quadro de funcionários deve gerar uma economia de cerca de 7% a 8% com a folha de pagamento. A bolsa ainda vem promovendo outros ajustes como o anúncio do fim do pregão viva voz até junho de 2009, e projeta que um gasto de R$ 450 milhões com despesas operacionais em 2009, redução de R$ 53 milhões comparado a 2008.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 3)(Silvia Rosa)