Título: PP está dividido em relação ao apoio a Marta no 2º- turno
Autor: Wallace Nunes
Fonte: Gazeta Mercantil, 23/09/2004, Política, p. A-8
As conversas de bastidores sobre as alianças para o segundo turno das eleições municipais de São Paulo andam a todo vapor, apesar de as cúpulas dos principais partidos insistirem em negar qualquer tipo de negociação antes da votação do primeiro turno.
O fiel da balança de apoio neste momento está sendo o ainda candidato pelo PP, Paulo Maluf. PT e PSDB querem o apoio do ex-prefeito. Entre os petistas a aliança, costurada pelo PT nacional, com Maluf, era dada como certa. Mas a adesão do ex-prefeito e partidários à campanha de Marta Suplicy na segunda etapa do pleito é na prática uma incerteza.
Os correligionários do PP estão literalmente divididos entre Marta e Serra. Apesar da falta de união em torno do tema, o canal de negociação com os petistas ainda é mais forte do que com os tucanos. "Estamos negociando com os candidatos que parecem que estarão no segundo turno. Mas há uma inclinação para apoiar o PT. Obviamente não podemos dizer agora quem devemos apoiar,", afirmou um integrante da cúpula do candidato do PP à prefeitura paulistana.
Procurados por este jornal, a coordenação de campanha de Marta Suplicy negou estar tendo qualquer tipo de conversa com a cúpula de Maluf.
O presidente municipal do PP, deputado Celso Russomano, não confirma as negociações, e deixa no ar: "Sempre há conversas sobre alianças para o segundo turno, especialmente agora". As coordenações de campanha de Serra e Marte negociam há pelo menos duas semanas com Maluf (PP), Luiza Erundina (PSB) e Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, do (PDT). O apoio dos candidatos que ficarão fora do segundo turno é considerado por muitos analistas como vital para abocanhar os votos de eleitores que ainda não se decidiram e também daqueles que já definiram seu voto.
Na busca por votos para diminuir a diferença de Marta Suplicy para José Serra no segundo turno, o PT está fazendo de tudo. No início da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança do partido entrou na campanha paulistana e pediu votos para a prefeita petista conquistar um segundo mandato.
Tucanos
No ninho tucano, a negativa dos coordenadores sobre conversas de alianças vem sempre à tona quando perguntados sobre o assunto. "Alianças para o segundo turno só depois do primeiro. Somos éticos e respeitamos os outros candidatos, muito ao contrário do que faz nossa adversária", alfineta o deputado estadual Edson Aparecido, um dos coordenadores de campanha de José Serra, referindo-se a Marta.
Nos bastidores, entretanto, a história é diferente. Os correligionários do PSDB negociam a presença em seu palanque da ex-prefeita socialista Luiza Erundina e também parte da cúpula do PMDB, cujo candidato a vice-prefeito é o deputado Michel Temer, presidente nacional da legenda. "A conversa com os tucanos está morna porque a maioria dos vereadores peemedebistas que estão trabalhando de forma independente estão com Marta no segundo turno a qualquer preço", afirma um assessor de um deputado com influência na cúpula do partido em São Paulo.
Erundina e parte do PSB têm se inclinado a apoiar José Serra, mas cúpula nacional da legenda socialista está fechada com o PT. O PDT de Paulinho já está fechado com o PSDB numa eventual ida de Serra para o segundo round do pleito municipal.
De maneira considerada comedida, os tucanos protestaram firme. Entraram com uma representação no Ministério Público paulista contra o presidente Lula e a prefeita Marta por violação da Lei Eleitoral. O PSDB, entretanto, desistiu de pedir a impugnação da candidatura da petista.
O PSDB reclama da presença de Lula, mas faz o mesmo com o governador Geraldo Alckmim, que pede votos para Serra.