Título: PPS e PDT ensaiam união de longo prazo
Autor: Paulo de Tarso Lyra e Luiz Orlando Carneiro
Fonte: Gazeta Mercantil, 23/09/2004, Política, p. A-10

Separados após as eleições presidenciais de 2002, PPS e PDT estão muito próximos de reatar a aliança política que apoiou a candidatura de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto. As duas legendas querem se unir contra a interferência do PT nos assuntos internos partidários. Para começar, os pedetistas protocolaram ontem uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitando a investigação da denúncia, feita pela revista Veja, dando conta de um suposto pedido de ajuda financeira feita pelo PTB ao PT. "A denúncia é grave e atinge em cheio o PT, que sempre se portou como vestal da política brasileira, usando e abusando da bandeira da moralidade", diz Carlos Lupi, presidente do PDT.

A representação é dirigida ao corregedor-geral do TSE, ministro Francisco Peçanha. Segundo Lupi, se as denúncias forem verdadeiras, o PT, aproveitando-se da condição de partido do governo, estaria usando a máquina administrativa como moeda eleitoral.

Roberto Freire, que preside o PPS, e Lupi elaboraram ontem uma nota, afirmando que a reaproximação se intensificará a partir do pleito municipal deste ano. "Estamos unidos em algumas capitais importantes, como Florianópolis, Cuiabá, São Luis e Rio Branco. Em outras, há compromisso de apoio mútuo de segundo turno, em Porto Alegre, Maceió e Teresina", confirmou Freire.

Carlos Lupi afirmou que a intenção é formar um núcleo à esquerda do PT, com independência em relação ao governo petista. Lupi sabe que esbarra em um ponto - ao contrário de seu partido, o PPS mantém-se vinculado ao Planalto, inclusive com um ministério - o da Integração Nacional, ocupado por Ciro Gomes. "O PPS ainda não assumiu que é oposição. Quando assumir, não terá qualquer constrangimento em entregar os cargos", diz Freire.

Lupi lembra que o diálogo, por enquanto, está restrito às executivas partidárias, podendo evoluir para a formação de um bloco partidário. Os dois partidos criticam o modelo econômico do governo.

"Evidentemente, quando o governo tomar posições concordantes com o trabalhismo, vamos aplaudir. Mas jamais concordaremos com as políticas de superávit primário, alta taxa de juros, arrocho salarial e desvalorização do servidor público", diz Lupi.