Título: Do Eixão à Esplanada, a gratidão popular
Autor: Pariz, Tiago; Iunes, Ivan; Kleber, Leandro
Fonte: Correio Braziliense, 31/03/2011, Política, p. 2/3
O trabalho de Alencar durante os oito anos em que esteve na Vice-Presidência da República foi muito lembrado por quem foi ao cortejo do empresário mineiro
Com Naira Trindade
O cortejo fúnebre de José Alencar, transportado em carro aberto do Corpo de Bombeiros, mobilizou centenas de pessoas desde a chegada do corpo à Base Aérea de Brasília, às 10 horas. O Eixão Sul, a plataforma superior da Rodoviária, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes não ficaram apinhados de gente durante o cortejo, realizado em pleno expediente de trabalho para a maioria das pessoas. Mas, por onde o carro passou, recebeu homenagens.
O trajeto de 10 quilômetros entre a Base Aérea e o Palácio do Planalto foi feito às pressas. O Eixão Sul permaneceu vazio no início da manhã, mas o anúncio da chegada do avião da Força Aérea Brasileira (FAB) mobilizou moradores de quadras próximas. Eles foram até a beira da pista ver o cortejo. Batedores da Polícia Militar (PM) e do Exército fecharam o trânsito para a passagem da comitiva.
Algumas pessoas acompanharam o cortejo da Rodoviária. Às 11 horas, quando o carro do Corpo de Bombeiros passou pela Esplanada dos Ministérios, o cenário que compõe os edifícios do Executivo foi alterado. Ao ouvir o aviso da escolta, muitos funcionários públicos tentaram enxergar das janelas o caixão, coberto pela bandeira do Brasil. Apesar da velocidade do veículo, a passagem foi aplaudida.
As centenas de pessoas presentes na Praça dos Três Poderes também reverenciaram Alencar. Ao som de 21 tiros de canhão, o caixão foi removido do veículo por cinco bombeiros. A subida na rampa do Palácio do Planalto, pouco depois das 11 horas, ocorreu sob o som uníssono de um tarol. Depois, uma longa fila se formou em frente ao prédio oficial da Presidência para a visitação pública no interior do palácio.
Na praça A pedagoga Rhill Melo, 38 anos, foi uma das primeiras a chegar à Praça dos Três Poderes. Às 8h30, ela reservou um banco da praça com um kit básico, que tinha livro, água, salgadinhos e até chimarrão. ¿No tempo em que Alencar esteve ao lado de Lula, o povo brasileiro teve mais acesso à educação e ao lazer. A união dos dois fez bem às pessoas, quebrou um pouco a política elitizada.¿
Os amigos Adriel Mateus de Moura, 20 anos, e Vitor Henrique Toledo, 19, tinham acabado de chegar de Minas Gerais quando foram para a Praça dos Três Poderes. O objetivo inicial era conhecer o cartão postal de Brasília guiados pela amiga Melissa Kelly, 17. Ao saber do cortejo, o trio decidiu assisti-lo. ¿É muito interessante estar aqui neste momento, tem uma comoção. Acredito que, sem o Alencar, o Lula não teria feito o que fez¿, disse Adriel.
Sentadas às margens do Eixão Sul desde 8h50, Inereide Galdino, 41 anos, Anésia Gonçalves, 55, e Maria Auxiliadora Fernandes da Silva, 53, se emocionaram quando o carro dos bombeiros passou. ¿Alencar foi uma pessoa importante, de fé, que nos motiva a ser cada vez melhores¿, disse Maria Auxiliadora. Ela esteve presente no mesmo local, em 1985, quando morreu o ex-presidente Tancredo Neves.