Título: Mercado eleva projeção de queda do PIB para 2009
Autor: Ayr Aliski
Fonte: Gazeta Mercantil, 26/05/2009, Brasil, p. A5
Brasília, 26 de Maio de 2009 - O Produto Interno Bruto (PIB) deverá apresentar retração de 0,53% em 2009. Essa é a mais recente estimativa dos agentes de mercado, apurada pelo Banco Central na elaboração do boletim de expectativas Focus, divulgado ontem. Essa pesquisa é semanal e na edição anterior indicava apostas por uma retração do PIB em 0,49% no ano, o que tinha sido a mais pessimista projeção desde o início do ano. A deterioração das expectativas acompanha o discurso do governo, pois há menos de duas semanas a equipe econômica finalmente admitiu que o PIB terá um desempenho pior que o esperado, com crescimento de 1%. Antes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistia que o País estava mais resistente aos efeitos da crise e que cresceria cerca de 2% em 2009.
Simultaneamente ao movimento de agravamento das projeções relativas ao PIB, houve piora das projeções quanto ao desempenho da produção industrial, para a qual o mercado agora aposta em queda de 4,26%. Uma semana antes, a projeção relativa ao PIB da indústria indicava para uma retração de 4,13% no ano. O "derretimento" do dólar também está presente no cálculo dos cerca de cem agentes de mercado consultados pelo Banco Central . A nova projeção é que a taxa de câmbio no final do ano será de R$ 2,10 por dólar. Uma semana antes, vigorava estimativa de que a relação de troca seria de R$ 2,12 por dólar e há um mês, a aposta era de R$ 2,25 no final de 2009.
A nova projeção de mercado, entretanto, mantém-se em um terreno confortável, pelo menos quando o assunto é exportações. Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, dólar até R$ 2,00 ainda é competitivo para as vendas do Brasil ao mercado internacional. As novas estimativas dos agentes de mercado em relação à balança comercial, inclusive, estão mais otimistas, apontando para superávit de US$ 20 bilhões este ano, frente projeção de US$ 18,15 bilhões, uma semana atrás. Em paralelo houve melhora das apostas quanto ao ingresso de capital estrangeiro por meio dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), segmento para o qual está sendo projetado uma chegada de US$ 22,9 bilhões, enquanto na semana anterior, o mercado apontava para US$ 22,02 bilhões.
Com saldo comercial e posição de IED mais confortáveis, o mercado revisou também estimativa relativa ao rombo em transações correntes, passando a apostar em US$ 17,55 bilhões de necessidade de financiamento. Na semana anterior, a projeção era por um déficit em transações correntes de US$ 18,9 bilhões. Ou seja, houve uma "injeção de otimismo" nesse indicador de nada menos que US$ 1,35 bilhão em apenas sete dias. O mercado estabilizou suas projeções quanto ao comprometimento da Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) em relação ao PIB, em 39%. Também foi mantida em relação à semana passada a estimativa de que a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2009 estará no patamar de 9% anual.
Quanto à inflação, foi mantida em 4,33% a projeção de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), portanto abaixo do centro da meta estabelecido pelo governo, que é de 4,5%. Foi reduzida de 2,03% para 1,9% a estimativa de alta do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). Caiu de 1,91% para 1,69% a projeção relativa ao comportamento do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M).
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 5)(Ayr Aliski)