Título: Líderes mundiais condenam novo teste norte-coreano
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Fonte: Gazeta Mercantil, 26/05/2009, Internacional, p. A10

Washington, 26 de Maio de 2009 - Líderes mundiais condenaram a Coreia do Norte por realizar testes nuclear e de mísseis ontem, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que os atos de Pyongyang são um desafio insensato que justificam ação por parte da comunidade internacional.

Enquanto países se preparavam para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na tarde de ontem, o chefe de política externa da União Europeia (UE), Javier Solana, qualificou o teste nuclear de "violação flagrante" de uma resolução do Conselho, algo que requer "uma resposta firme".

China, Rússia, França e Grã-Bretanha - que, junto com os EUA, são membros permanentes do Conselho de Segurança -- expressaram alarme diante do teste nuclear realizado pelo Estado isolado, que, segundo Moscou, foi tão potente quanto a bomba atômica que os EUA lançaram sobre Nagasaki na II Guerra Mundial. A Coreia do Sul convocou também uma reunião de emergência do gabinete.

"Agindo em desafio flagrante ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Coreia do Norte está desafiando a comunidade internacional de maneira direta e irresponsável", disse Obama. "O perigo representado pelas atividades ameaçadoras da Coreia do Norte justifica ação por parte da comunidade internacional."

Unanimidade

A condenação unânime de todo o mundo ressaltou o isolamento da Coreia do Norte.

A comunidade internacional há anos usa uma mistura de sanções e ofertas de ajuda para negociar com Pyongyang o fim do programa nuclear norte-coreano.

Mas Pyongyang é tão isolada que há poucas opções de punição possíveis, e nem Obama nem Solana fizeram recomendações específicas. A França falou em intensificar as sanções.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar "profundamente preocupado" com o teste nuclear da Coreia do Norte.

A Coreia do Norte há semanas ameaçava realizar o teste em resposta ao endurecimento das sanções internacionais, decidido depois de o país lançar um foguete, em abril, que teria violado a proibição da ONU a testes norte-coreanos com mísseis de longo alcance.

A Rússia disse que a violação da resolução do Conselho de Segurança representou um revés grave nos esforços para controlar a proliferação de armas nucleares e que as conversações entre seis países sobre a Coreia do Norte são a única solução para a crise.

"Provocação"

A explosão de ontem foi até 20 vezes mais potente que a primeira feita pelo país, há dois anos e meio, salientando o avanço do programa nuclear norte-coreano a despeito das negociações multilaterais para tentar contê-lo. Agravando ainda mais a tensão, a Coreia do Norte testou três mísseis de curto alcance pouco depois do teste nuclear.

"Consideramos os testes uma provocação e os condenamos fortemente", disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, descreveu os testes nucleares e de mísseis como "errôneos, equivocados e um perigo para o mundo".

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 10)(Reuters)