Título: BB libera mais R$ 13 bi para pessoa física
Autor: Aliski,Ayr
Fonte: Gazeta Mercantil, 26/05/2009, Finanças, p. B1

Brasília, 26 de Maio de 2009 - O Banco do Brasil decidiu liberar novos R$ 13 bilhões para crédito específico para o segmento de Pessoas Físicas (PF). Desse total, R$ 3 bilhões deverão ser aplicados ainda este ano. A medida elevará a possibilidade de tomada de empréstimos de cerca de 10 milhões de pessoas que já têm relacionamento com o BB, ou seja, cerca de um terço do total de clientes que a instituição tem no segmento de Pessoas Físicas.

Na prática, os clientes que forem selecionados por meio de critérios de risco de crédito terão seus limites máximos de empréstimo ampliados, caso a caso. Em média, haverá uma elevação de 5,25% no teto do crédito dos clientes beneficiados. Outra medida, a qual valerá para todos os clientes pessoa física, envolve a redução das taxas de juros cobradas de nove linhas de crédito, como a de crediário geral. O aumento de limites e a queda dos juros já estão em vigor, garantiram ontem integrantes da cúpula do BB ao anunciar o pacote de crédito.

"Essas medidas estimulam o consumo e ajudam a aquecer a economia", disse o vice-presidente de crédito, controladoria e risco global do BB, Ricardo Flores. Ele disse que as mudanças foram aplicadas sem nenhuma interferência política, embora no começo de abril o governo tenha promovido a troca na presidência da instituição. Antônio Lima Neto caiu por ser resistente aos apelos do presidente Lula para o BB baixar juros e reduzir spreads (diferença entre a taxa de captação dos bancos e a de repasse dos recursos). Foi substituído por Aldemir Bendine, que oficialmente tomou posse em 23 de abril e trocou nove nomes das 12 vice-presidências do Banco do Brasil. "Não há decisão aqui com conotação política. É uma decisão autônoma, baseada nas práticas bancárias", assegurou Flores. Uma semana antes, entretanto, o BB também havia sido envolvido em críticas por conta das taxas de juros que estava cobrando.

Segundo o vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com os Investimentos, Aldo Marques, a ampliação da oferta de crédito às famílias faz parte de um projeto de ampliação da presença do BB no mercado de pessoas físicas. Atualmente, destacou, o BB tem uma carteira de crédito de R$ 61 bilhões no segmento (a qual deverá chegar a R$ 70 bilhões quando da efetiva conclusão do negócio com o Banco Votorantim). O BB acha que esse valor é pequeno, quando comparado aos concorrentes. "É possível chegar a R$ 100 bilhões. Entre 2010 e 2012 atingiremos essas metas", disse Marques.

Ricardo Flores garantiu que a ampliação da oferta de crédito deve-se à aplicação de uma nova metodologia de análise de riscos, considerando critérios como o tempo de relacionamento com o banco, taxas de juros cobradas desse cliente no passado e limite anterior de utilização do crédito que foi oferecido. Dessa forma, correntistas que têm bom perfil, mas não têm o hábito de tomar empréstimos, não receberão limites adicionais. A medida deve beneficiar, entretanto, clientes de bancos que recentemente foram incorporados pelo BB, como a Nossa Caixa.

Flores afirma que será possível oferecer mais empréstimos e baixar taxas sem comprometer a qualidade da carteira. "A nossa inadimplência em pessoas físicas ou em qualquer outro segmento é menor que a de qualquer outro banco", disse o vice-presidente de Crédito. Dados do BB apontam para 5,9% de pagamentos com atraso acima de 90 dias em sua carteira de crédito PF, frente 8,3% da média de mercado.

As linhas que tiveram redução de taxas são das de material de construção, crediário, crediário - linha branca, veículos, consignação em folha para servidores do poder Executivo federal, consignação em folha para os demais convênios, crédito salário, crédito automático e crédito benefício, esta última exclusiva para beneficiários da Previdência. O juro mais baixo é o da linha para compra de veículos, que caiu de 1,31% para 1,22% ao mês, considerando a taxa mínima. No BB Crediário Linha Branca, a taxa mínima foi mantida em 1,99% ao ano, mas a novidade é que antes essa taxa valia para empréstimos de até 12 meses e agora poderá ser aplicada em financiamentos com prazo de até 24 meses.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Ayr Aliski)