Título: Empresas buscam mais vendas externas (A - Pág. 12)
Autor: Henrique Silveira Neves
Fonte: Gazeta Mercantil, 27/09/2004, Papel, p. A-12
O Brasil participa com uma fatia muito pequena das exportações mundiais de papéis. Em 2001, por exemplo, movimentou 1,4% de um mercado de 96,99 milhões de toneladas, cujos líderes foram o Canadá, com 15%, Finlândia (11,9%), Suécia (9,2%), Alemanha (9,1%) e Estados Unidos (8,6%).
A retração do mercado interno em 2003, no entanto, parece ter encorajado os produtores a ampliar as exportações. Segundo levantamento feito pelo Panorama Setorial a partir dos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex-MDIC), o Brasil exportou 1,6 milhão de toneladas de papéis em 2003 (US$ 865 milhões FOB), 21,3% mais que as vendas externas de 2002, de 1,32 milhão de toneladas (US$ 713 milhões FOB).
Na Klabin, por exemplo, houve crescimento de 10,6% no volume de exportações de papéis para fabricação de embalagens de papelão ondulado, sacos e envelopes de 2003 em relação a 2002 (de 322 mil para 356 mil toneladas). Para a empresa, o aumento decorreu da queda na demanda interna de papéis para fabricação de caixas de papelão ondulado, da recuperação da demanda na Argentina e da abertura de novos mercados, como a Ásia. No primeiro semestre deste ano, as exportações da Klabin representaram 44% do volume total e 33% da receita líquida de vendas.
Mesmo na Votorantim Celulose e Papel (VCP), cujas vendas são dirigidas predominantemente ao mercado interno, a participação das exportações cresceu no ano passado. Das 568 mil toneladas comercializadas em 2003, 29,6% tiveram como destino o mercado externo (o equivalente a 168 mil toneladas). No ano anterior, esse patamar era de 23,1%. O aumento das vendas externas foi justificado pela VCP principalmente pelo maior direcionamento de papéis "cut size" para o exterior, cujas exportações saltaram de 103 mil toneladas em 2002 para 133 mil em 2003.
Para Osmar Zogbi, presidente da Bracelpa, o custo portuário brasileiro, altíssimo, a falta de contêineres (que levou os exportadores a buscarem alternativas para o transporte marítimo de papel) e o frete elevado, causado pela falta também de navios, estão tirando a competitividade do papel brasileiro. Um comunicado da Bracelpa de abril deste ano já criticava esse quadro, lamentando a possibilidade de que o esforço do pequeno e médio produtores para exportar pudesse acabar em frustração, porque todo o excedente exportável poderia ficar retido nas unidades de produção.