Título: Confecções mudam o processo de produção para conquistar exterior
Autor: Tânia Nogueira Alvares
Fonte: Gazeta Mercantil, 27/09/2004, Pequenas e Média Empresas, p. A-17

Sassy alterou o lay-out da fábrica, investiu em novas máquinas e capacitou funcionários. Aos 23 anos de idade, a Sassy Confecções, de Amparo, no interior paulista, resolveu se qualificar para disputar o mercado externo no segmento moda bebê, que vai de roupas para recém-nascidos a um ano de idade. O processo foi longo e passou pelo apoio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) através do Progex - Programa de Apoio Tecnológico à Exportação. Durante sete meses, um grupo de engenheiros têxteis do IPT revolucionou o chão de fábrica da empresa, hoje com 35 funcionários diretos e 25 terceirizados, e mudou o lay-out, calibrou máquinas, adequou agulhas para determinados tecidos.

Esses ajustes foram feitos simultaneamente ao investimento de R$ 25 mil em novas máquinas e um intensivo treinamento da mão-de-obra. Estratégia que resultou em um corte de custos que vai colaborar para um aumento de 50% no faturamento, para R$ 150 mil por mês, afirma Luiz Carlos da Silva, dono da empresa.

Foi apenas o primeiro passo. Para exportar, em especial para um mercado exigente como o norte-americano, a Sassy teve de trocar de fornecedora de sua principal matéria-prima - a malha de algodão. A malha que usava não passou nos testes feitos para obter a certificação. E foram inúmeros testes de flamabilidade, de encolhimento, de descoramento, entre outros. Além disso, foi preciso rever toda a modelagem e também o estilo e o corte. "Pela primeira vez estamos usando uma designer de moda, abandonando a prática de decidir os modelos de acordo com as opiniões da vovó," ironiza Silva.

O empresário também recorreu a um apoio externo na parte comercial e de logística. Contratou a exportadora Tropical Spice, responsável pela participação da confecção em feiras e eventos internacionais e pela prospecção de novos negócios. O resultado já começa a aparecer. Depois de participar da Beirut Fashion, no Líbano, onde todas as peças expostas foram compradas, ficou acertado o envio de um primeiro lote de peças para o Líbano, cuja fabricação será distribuída entre as oito confecções que adequaram seus produtos para exportação no cluster de Amparo, que é composto pelo total de 15 empresas.

As empresas que compõem o Pólo de Roupa Infantil de Amparo produzem ao redor de um milhão de peças por mês. A organização dessas confecções no sistema de arranjo produtivo local (APL) foi iniciado há dois anos e meio. Marcos Lenzi, gerente do consórcio e diretor de desenvolvimento econômico da Prefeitura de Amparo, diz que, apenas com a mudança do lay-out das fábricas, houve redução de custos de 8% na média. A capacitação da mão-de-obra e os investimentos em máquinas modernas elevou a produtividade de 10% a 20%, dependendo da confecção. O grupo de empresas do pólo de Amparo emprega, hoje, 250 pessoas.

Hoje o mercado interno absorve toda a demanda, mas já estão estruturadas as novas células de produção que vão produzir apenas para o mercado internacional. Se os últimos contatos com países importadores resultarem em contratos de exportação, as confecções têm condições de rapidamente elevar a capacidade de produção em 10%, diz Lenzi. Essa agilidade reflete o esforço registrado nos últimos meses. Além de terem participado do Progex, as empresas participarão do programa de produtividade e qualidade do Senai, recebeu visitas técnicas do Sebrae e da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo e conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A Fundacentro Campinas, ligado ao Ministério de Trabalho e Emprego, também sugeriu adequações e projetos de melhoria nas condições de trabalho nas confecção de Amparo. Foram realizadas adequações no campo da iluminação, ruídos, ergonomia e conforto térmico. Na primeira semana de outubro, os empresários irão passar pelo programa de capacitação para exportação - Rede Agentes de Comércio no Exterior, da Apex (Agência de Promoção de Exportações).

A coleção produzida pelas oito confecções terá a marca Ecomini, com motivos de animais brasileiros em extinção como o boto cor-de-rosa, o tamanduá-bandeira e o mico-leão-dourado, entre outros.