Título: Economistas calculam os efeitos de longo prazo
Autor: Daniele Carvalho
Fonte: Gazeta Mercantil, 29/09/2004, Nacional, p. A-5
Um reajuste de 10% nos preços da gasolina e do diesel representaria acréscimo de 0,45 ponto percentual na inflação deste ano. Caso a alta dos combustíveis fosse em meados de outubro, na avaliação do economista da Global Invest, Alex Agostini, o repasse seria sentido em novembro e dezembro, com 0,25 ponto percentual de alta no IPCA em cada mês.
"Acredito que este repasse poderá ser ainda menor. Normalmente, as refinarias só transferem 70% da alta às distribuidoras, que por sua vez, passam apenas 70% deste percentual ao consumidor. Se isto acontecer, a contaminação do IPCA seria de 0,23 ponto percentual até o final deste ano", disse Agostini.
A demora da Petrobras em reajustar o preço dos combustíveis é considerada uma estratégia do governo para segurar a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta oficial do índice para este ano é de 5,5%, com margem de 2,5 pontos percentuais. Qualquer repasse de preços poderia significar um risco de estouro da meta. Ontem o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, disse que a estatal não prevê reajuste dos combustíveis no curto prazo. O mercado trabalha com números que variam de 10% a 30%. Já a estatal, segundo Dutra, "tem seus próprios números e não pretende divulgá-los".
Para o economista do Ibmec e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu e Freitas, "um reajuste de 10% teria um acréscimo de 0,6 ponto percentual. Metade deste impacto será sentida logo de imediato e, a outra metade, nos primeiros meses de 2005."