Título: IGP-M fica abaixo das previsões do mercado e sobe 0,69% em setembro
Autor: Viviane Monteiro
Fonte: Gazeta Mercantil, 30/09/2004, Nacional, p. A-6

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) desacelerou e subiu 0,69% em setembro ¿ o mesmo patamar registrado em fevereiro deste ano ¿, após aumentar 1,22% em agosto, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado ficou abaixo das previsões do mercado, de alta entre 0,9% e 1%.

Para o coordenador de Análises Econômicas do Ibre, Salomão Quadros, é possível concluir que o resultado de setembro afasta a apreensão com os rumos da inflação. "Com esse resultado, acho que fica claro que foram exageradas todas as preocupações de que a inflação pudesse estar fugindo ao controle", disse Quadros.

Entre os componentes do IGP-M, o Índice de Preços por Atacado (IPA-M) registrou em setembro variação positiva de 0,90%, ante a alta de 1,42% de agosto. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) passou do aumento de 0,80% apurado em agosto para 0,15% na medição deste mês. Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-M) desacelerou e subiu 0,67% em setembro, ante a elevação de 0,90% do mês anterior.

Uma das surpresas agradáveis, segundo a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, foi o resultado do IPC-M, que diminuiu puxado, sobretudo, pela baixa do IPA agrícola, que devolveu as pressões do mês passado, apresentando deflação de 0,41%, após subir 0,48% no mês anterior. "Foi uma surpresa boa, isso se deve à sazonalidade climática do período", disse Maristella.

O IPC-M veio em linha com o último resultado do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), que registrou alta de 0,32% na terceira prévia do mês. "Isso mostra que não há pressão de demanda. A inflação de setembro está mais positiva do que a de agosto", disse Maristella, estimando taxa de 0,20% para o IPC da Fipe de setembro.

A analista chama a atenção para o preço do petróleo, que ainda é um fator preocupante. "O petróleo deve definir o cenário daqui para frente", disse. Ela acredita que no curto prazo o petróleo deve ser reajustado internamente, considerando a alta do produto no mercado internacional.

Quanto à pressão dos produtos siderúrgicos, Maristella disse que já é visto um arrefecimento "razoável". Ela lembrou que o IPA industrial desacelerou de 1,42% para 0,90% em setembro, refletindo a redução nos preços das commodities metálicas.