Título: Maioria das capitais terá segundo turno
Autor: Wallace Nunes
Fonte: Gazeta Mercantil, 04/10/2004, Política, p. A-9

Após a confirmação dos resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de que haverá segundo turno em 68 cidades dos grandes centros e capitais brasileiras, PT e do PSDB despontam como os partidos que mais cresceram nas eleições municipais. As duas legendas polarizaram o debate eleitoral desde o início da campanha.

Dados do TSE apontam ainda que os 119.821.569 brasileiros que compareceram às urnas para eleger os 51.802 vereadores e 5.562 prefeitos para os próximos quatro anos em todo o País, vão dar continuidade a quase metade dos atuais prefeitos - um total de 2.762 chefes de executivos municipais, que concorreram à reeleição. A média nacional de prefeitos reeleitos em nas eleições de 2000 foi de 60%. Neste ano, a disputa eleitoral não traz necessariamente surpresa. Noventa e um municípios, espalhados por 14 Estados, tiveram candidato único a prefeito.

Nas grandes capitais, o PSDB perdeu espaço, mas ainda é a principal ameaça ao PT, onde seus líderes esperam mais que dobrar o números de prefeitos e vereadores em comparação às eleições municipais de 2000. A legenda tucana assegurou no primeiro turno Teresina (PI), capital que já governa com Silvio Mendes. E chega ao segundo turno em Florianópolis, Curitiba, Cuiabá, Vitória e São Paulo pela primeira vez.

Já o PT, tem como desafio aumentar o número de prefeitos em pequenas e médias cidades e continuar administrando grandes capitais. Dados do TSE mostram que o PT disputará o segundo turno em 11 das 26 capitais. Hoje a legenda possui oito prefeitos. O partido do presidente Lula venceu no primeiro turno em Belo Horizonte (MG), com Fernando Pimentel, Recife (PE), com João Paulo, Aracajú (SE), com Marcelo Déda, e Palmas (TO), com Rubens Filho - essa última possui menos de 200 mil eleitores e não tem 2 turno.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, os eleitores paulistanos estão divididos entre a prefeita e candidata à reeleição Marta Suplicy (PT) e o candidato do PSDB, José Serra.

Fora PSDB e PT, os outros partidos estão em posição de menos destaque nas eleições de capitais. A conquista dos grandes centros têm relevância para estruturação dos partidos com aspirações à Presidência da República em 2006. Duas pequenas siglas, PDT e PSB têm chances em quatro cidades. O PFL, que tenta ser o partido líder de oposição ao governo Lula apareceu como legenda competitiva em apenas três capitais, Manaus (AM) com Amazonino Mendes, César Borges em Salvador (BA) e César Maia no Rio de Janeiro.

O PMDB continua sua trajetória de crescer no interior do País, embora detenha hoje duas capitais, Campo Grande (MS) e Fortaleza (CE), e disputa Goiânia (GO), com Íris Resende, que disputará o 2 turno.

O PCdoB, que possui dois ministérios e sonhava em administrar a prefeitura de Fortaleza com a candidatura de Inácio Arruda ficou de fora do 2 turno derrotado por Luizianne Lins (PT).