Título: Pior para os nanicos
Autor: Torres, Izabelle
Fonte: Correio Braziliense, 02/04/2011, Política, p. 6

PARA SABER MAIS A mudança no sistema eleitoral é o ponto de partida das discussões em torno da reforma política. Todas as legendas concordam que é preciso mudar as regras, mas não se entendem quanto ao método ideal, já que cada político defende a forma como se elegeria mais facilmente e os partidos pregam por mudanças capazes de fazê-las crescer ainda mais.

O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, que brigou pelo fim das coligações e conseguiu aprovar a proposta na comissão do Senado, incharia ainda mais se a regra valesse na eleição passada. Segundo um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), se as alianças partidárias tivessem sido proibidas, os petistas teriam eleito 108 deputados: 20 a mais do que possui a atual bancada.

O PT seria o maior beneficiado também se as regras eleitorais determinassem a vitória dos candidatos pelo número de votos recebidos. A maior bancada eleita da Câmara pularia de 88 deputados para 91, se o sistema majoritário fosse adotado.

O PMDB também incharia na Câmara se houvesse a adoção do sistema majoritário, ou se as coligações fossem proibidas. No primeiro caso entrariam 10 deputados a mais do que o quadro de eleitos em outubro. No segundo caso, a legenda saltaria dos atuais 78 parlamentares para 109 representantes.

A adoção dos novos sistemas daria um novo fôlego tanto ao DEM quanto ao PSDB. Os tucanos passariam dos atuais 53 para 65 deputados eleitos em qualquer novo sistema. Já os demos ganhariam sete parlamentares se as regras permitissem a eleição dos mais votados, mas perderiam quatro integrantes se não pudessem fazer coligações. O estudo mostra ainda que as mudanças podem significar encolhimento drástico dos partidos nanicos.