Título: Vasp diz que só adequou o pessoal aos aviões que tem
Autor: Roberto Manera
Fonte: Gazeta Mercantil, 06/10/2004, Transporte & Logística, p. A-12

A Vasp passou o dia de ontem sob fogo cerrado - dos sindicatos dos Aeronautas e dos Aeroviários, do Ministério Público do Trabalho paulista e do próprio governo federal, que a apenas seis dias da data de vencimento da atual concessão da companhia, ainda não prorrogou, como fez com a Varig, o prazo para um novo período de concessão.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas, que reúne pilotos e comissários de bordo, ameaçava antecipar para hoje uma assembléia marcada para amanhã, para contestar as demissões de 120 pilotos e 100 comissários de bordo anunciadas, no bojo de 380 dispensas, na sexta-feira. O Sindicato alega que as dispensas ferem o acordo firmado depois da última paralisação dos funcionários, garantindo estabilidade de 90 dias."É só ler o acordo: lá está escrito que os aeronautas teriam estabilidade se a companhia conseguisse recolocar em vôo os seis aviões que o DAC (Departamento de Aviação Civil) determinou que fossem desativados, por terem completado, segundo a fabricante, Boeing seu ciclo de vida útil", disse ontem um assessor de imprensa da Vasp. Segundo o assessor, não se pode pedir a nenhuma empresa que conserve empregados caros, como pilotos comerciais, "para deixá-los dormindo em casa". Segundo o funcionário, o proprietário da companhia, Wagner Canhedo, reconhece que a única saída para a Vasp é substituir imediatamente os seis aviões desativados e, até janeiro próximo, recompor uma frota mínima de 13 Boeing 737-300, mais eficientes que os 737-200.