Título: Brasil investirá R$ 570 milhões em estradas
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Fonte: Gazeta Mercantil, 07/10/2004, Agribusiness, p. B-12

O Brasil, segundo maior produtor mundial de soja, pretende gastar US$ 570 milhões para reconstruir as rodovias até a próxima safra porque a infra-estrutura deteriorada faz com que os exportadores fiquem menos competitivos, informou um funcionário do governo (ver Pag. B-12).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem de aumentar os gastos com rodovias, ferrovias e vias fluviais para manter o Brasil em posição de liderança em exportações, disse Paulo Sérgio Oliveira Passos, secretário executivo do Ministério dos Transportes. O governo retardou os investimentos em estradas e portos por mais de 10 anos para ter dinheiro disponível para pagar a dívida brasileira de R$ 430 bilhões, disse Passos em entrevista por telefone em Brasília.

Três quartos das estradas pavimentadas do país, grande parte delas administradas pelo governo, têm a pavimentação deteriorada, sinalização ou estradas vicinais inadequadas, ou estão impropriamente niveladas, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes divulgada ontem. O governo planeja investir R$ 1,6 bilhão (US$ 570 milhões) para reparar 11 mil quilômetros de estradas até março do próximo ano, quando a safra de soja de 2004-2005 começa a ser colhida, disse Passos.

"Com preços internacionais baixos, é muito mais difícil alguém se dar ao luxo de manter altos custos de produção". disse Sérgio Mendes, diretor da Associação Nacional de Exportadores de Grãos, em entrevista concedida em São Paulo. "Os custos do frete são tão elevados no Brasil que os agricultores preferem não aumentar a área plantada".

Os produtores de soja do Brasil gastam US$ 34 por tonelada em custos de frete, cerca de duas vezes o custo dos Estados Unidos e da Argentina, maiores concorrentes do Brasil. As maiores despesas com transporte acrescentam US$ 864 milhões anualmente aos custos do setor de soja, segundo um estudo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais.

"Às vezes perdemos excelentes oportunidades de exportar porque não somos suficientemente rápidos para fazer os produtos chegarem aos nossos clientes", disse em entrevista concedida por telefone César Borges de Souza, vice-presidente da Caramuru Alimentos, com sede em Itumbiara, no estado de Goiás, quinto maior processador de grãos e de óleo de cozinha do país. "Estamos começando a enfrentar tempos difíceis, por isso, precisamos melhorar nosso sistema".

A pesquisa levantou 74.681 quilômetros de estradas pavimentadas do país, inclusive 100% das estradas federais e partes das estradas estatais e privadas, de 28 de junho a 29 de julho. Do total de quilômetros pesquisados, 65,4% carecem de suficiente sinalização, em 56,1% delas as condições do eixo carroçável são péssimas condições e em 39,8% não tem acostamento, segundo mostrou a pesquisa.

O setor brasileiro de soja depende de rodovias para transportar cerca de 60% das suas necessidades, de ferrovias para transportar 33% e de via fluviais para 7%, firmou Mendes, citando dados da associação.

Os EUA, maiores produtores de soja, usam estradas para transportar apenas 16% da soja, ferrovias para 23% e vias fluviais para 61%. A Argentina, terceira maior, usa rodovias para transportar 82%, ferrovias para 16% e vias fluviais para 2%.