Título: Crescem as vendas para mercados não-tradicionais
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Gazeta Mercantil, 18/08/2004, Nacional, p. A/4
Brasília, 18 de Agosto de 2004 - As exportações de produtos brasileiros destinados a mercados não-tradicionais, abertos em 101 países, cresceram 74,4% no primeiro semestre deste ano em comparação com igual período do ano passado. A elevada taxa de expansão mostra que as empresas exportadoras ampliaram os negócios com Irã, Colômbia, Polônia e África do Sul, entre outros, e também com países desconhecidos da maioria dos brasileiros como Micronésia, Chade e República da Moldova.
Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que entre janeiro e junho deste ano a receita total obtida com os embarques destinados aos mercados não-tradicionais somou US$ 7,5 bilhões em receitas cambiais, acima dos US$ 4,3 bilhões negociados em igual período do ano passado.
A expansão representou um acréscimo de US$ 3,2 bilhões nas exportações brasileiras. Em termos absolutos, essa receita adicional foi superior ao total do crescimento das vendas registradas, isoladamente, para os três maiores parceiros comerciais do Brasil, que são Estados Unidos (US$ 1,11 bilhão), Argentina (US$ 1,77 bilhão) e China (US$ 815 milhões).
Em comunicado divulgado ontem pela Secex, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, considerou que as empresas exportadoras intensificaram a busca por novos mercados "sem descuidar dos nossos principais parceiros".
Um fator positivo nessas transações é que justamente para os mercados não-tradicionais o Brasil consegue ampliar, de forma mais acelerada, a venda de itens de maior valor agregado. Entre os produtos `made in Brazil¿ mais demandados por esses mercados constam autopeças, chassis, automóveis, tratores, aviões, móveis, produtos eletroeletrônicos, bombas e centrífugas.
Com o desempenho obtido no primeiro semestre deste ano, a participação conjunta dos países não-tradicionais na pauta das exportações do Brasil passou de 11,2% para 14,4% do total. Entre os países desse grupo destacam-se as transações mantidas com Colômbia, que comprou US$ 553 milhões, 45% a mais, o Irã (comprou US$ 649 milhões, 44,8% a mais), e a África do Sul (comprou US$ 509 milhões, 37% a mais).
As exportações destinadas à Polônia aumentaram de US$ 49 milhões para US$ 233 milhões. O volume de compras da Libéria saltou de US$ 648 mil para US$ 12,8 milhões. E no Iraque subiu de US$ 18 milhões para US$ 57 milhões.