Título: VCP tem venda recorde de papel e lucro líquido sobe 21% no trimestre
Autor: Rita Karam
Fonte: Gazeta Mercantil, 18/10/2004, Indústria & Serviços, p. A-10

O aquecimento na demanda interna somado à mudança no mix de produtos, com foco para as linhas de maior valor agregado, permitiu à Votorantim Celulose e Papel (VCP) alcançar receita recorde na venda de papéis no terceiro trimestre deste ano, de R$ 491 milhões, 20% a mais do que em igual período de 2003. O bom desempenho dos papéis, com margens melhores, resultou em aumento de 21% no lucro líquido da empresa que foi de R$ 205 milhões, ante os R$ 169 milhões de igual período de 2003. A receita operacional líquida da VCP aumentou 15% no terceiro trimestre e alcançou R$ 711 milhões, informou o diretor de Finanças e Relações com Investidores, Valdir Roque.

Para atender à maior procura por papel no mercado local, a VCP reduziu em 5% o volume exportado no trimestre, enquanto o total direcionado ao País aumentou 23% no período. A VCP vendeu 157 mil toneladas de papel no terceiro trimestre, 15% mais do que em igual período do ano passado. A exportação, que respondeu por 30% das vendas de papel no terceiro trimestre de 2003, respondeu por aproximadamente 20% este ano, segundo Roque.

Para melhorar suas margens, a VCP priorizou a venda de papéis revestidos e especiais. O principal produto da empresa na área é o papel multiuso de imprimir e escrever (cut size), usado, por exemplo, para impressões.

Queda no preço da celulose

No mesmo período de comparação, a receita com celulose cresceu 5% para R$ 220 milhões. Isso devido ao aumento de aproximadamente 5% no volume vendido e de 1% no preço médio do mercado interno. A VCP comercializou 162 mil toneladas de celulose no trimestre. O período foi de queda de preços para o produto no mercado internacional, devido à redução dos volumes adquiridos pela China. Na Ásia, segundo a VCP, a tonelada de celulose de eucalipto que custava US$ 530 no trimestre encerrado em junho caiu para US$ 450; na Europa saiu de US$ 550 para US$ 490 e nos Estados Unidos de USS$ 595 para US$ 555.

Roque informou, entretanto, que a China já começou a aumentar compras novamente e a expectativa do setor é de que os preços da celulose aumentem entre US$ 20 e US$ 30 em novembro.

O balanço trimestral da VCP também sofreu o impacto favorável da participação da empresa na Aracruz Celulose que gerou resultado positivo de R$ 45 milhões no último trimestre, valor 150% maior do que o conseguido em igual intervalo de 2003. Além disso, o efeito cambial gerado por ativos e passivos das subsidiárias em moeda estrangeira foi baixo, menor do que R$ 5 milhões. O lucro bruto da empresa no terceiro trimestre foi de R$ 351 milhões, um aumento de 19% em comparação com 2003. O lucro operacional antes de despesas financeiras e equivalência patrimonial alcançou R$ 242 milhões, valor 18% maior do que os R$ 205 milhões do terceiro trimestre do ano passado.

A demanda deve continuar aquecida no mercado interno no último trimestre, avaliou Roque. O executivo disse que usualmente os meses de outubro e novembro são mais fortes e dezembro mais calmo, mas a expectativa deste ano é que os três meses sejam de bom desempenho, com bons prognósticos também para o início de 2005, estimou o executivo.

Investimento na produção

A VCP está trabalhando no limite da capacidade, informou Roque. E vai direcionar a produção de acordo com os benefícios obtidos no mercado interno ou externo. "Temos grande flexibilidade para vender no mercado local ou internacional", afirmou o executivo da VCP. A empresa está desenvolvendo esforços para aumentar sua capacidade de produção, mas são investimentos previstos para serem concluídos em 2006.

Está em curso a formação de uma nova reserva florestal da VCP no Rio Grande do Sul (que poderá incluir áreas do Uruguai) para a qual já estão comprados 62 mil hectares de terra. A empresa também está adquirindo terras e plantios de eucalipto em São Paulo, em áreas próximas a de suas fábricas. E a VCP fará ainda investimentos para otimizar a nova linha de produção instalada em Jacareí (SP) para aumentar em cerca de 150 mil toneladas sua capacidade anual de produção de celulose.