Título: Aumenta o nível de confiança do empresariado
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Gazeta Mercantil, 20/10/2004, Indústria & Serviços, p. A-9

Aumentou a confiança dos industriais no desempenho da economia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou ontem que o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu de 60,7 pontos em julho para 63,8 pontos em outubro. O acréscimo de 3,1 pontos fez o índice retornar aos níveis de 2000, antes da entrada do País no período de três anos de retração recorrente. Para os próximos seis meses, a expectativa otimista foi ampliada de 65,2 pontos em julho para 66,4 pontos em outubro.

O ICEI varia de 0 a 100 pontos; valores acima de 50 pontos indicam otimismo. A melhora da confiança foi divulgada às véspera da decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros, fixada em 16,25% ao ano. A perspectiva é de permanência da política monetária restritiva por meio da elevação da Selic.

Ao apresentar o ICEI de 63,8 pontos, o coordenador da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, disse que se o aumento da Selic for de 0,25 ponto percentual, não haverá impacto expressivo no ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). "Não será o 0,25 no juro que afetará fortemente o crescimento. O que pesa é a expectativa", disse. "(O aumento da taxa) atrapalhará. Mas não digo que interromperá o ritmo de crescimento".

Fonseca destacou que a equação dos investimentos do setor produtivo tem duas variáveis: confiança na permanência da expansão do PIB e custo do capital. "Um lado da equação foi solucionado com o aumento da expectativa de confiança. Mas o custo do capital é um problema", disse. Uma das reivindicações da indústria é a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Fixada em 9,75% ao ano para os três últimos meses de 2004, a TJLP é usada nos contratos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O coordenador da Unidade de Pesquisa da CNI considerou arriscada a permanência de uma política monetária restritiva. Caso isso se concretize, Fonseca disse que haverá encarecimento do custo do dinheiro para o investimento na ampliação da capacidade e para o consumo no mercado interno.

A pesquisa do índice de confiança dos industriais foi feita entre 27 de setembro e 18 de outubro com 202 grandes empresas e 1.022 pequenas e médias empresas. Segundo a CNI, a confiança foi ampliada tanto entre os representantes de grandes indústrias como dos pequenos e médios negócios. No entanto, o índice de otimismo manifestado pelos proprietários de grandes empresas foi maior, 68,4 pontos, que o verificado para os empreendedores das pequenas e médias indústrias, 61,4 pontos.

Na enquete, os industriais consultados responderam a seis perguntas, sendo três referente a condições atuais e três questões sobre expectativas. Em termos de condições atuais, a pontuação foi de 60,3 para índice de confiança na economia, de 56,1 para setor de atividade e de 59,4 de confiança no negócio próprio. Considerando as expectativas para os próximos seis meses, a pontuação foi de 63,8 para a economia, 64 para setor de atividade e de 68,9 para a confiança no negócio próprio.