Título: Na TV, candidatos fazem autobiografia
Autor: Sérgio Prado e Wallace Nunes
Fonte: Gazeta Mercantil, 19/08/2004, Política, p. A-8

Exatos 31 minutos, depois que o sol deu o ar da graça como em poucas manhãs na maior cidade do País, as dezenas de rádios paulistanas começaram a veicular a propaganda de eleitoral dos candidatos a prefeito. É a partir destas peças que Marta Suplicy (PT), Paulo Maluf (PP), José Serra (PSDB) e Luiza Erundina (PSB), os mais cotados para chegar à prefeitura paulistana, tentarão sensibilizar os mais de 7,7 milhões de eleitores até o dia 30 de setembro.

Apesar da expectativa geral de ataques diretos à Marta Suplicy, os programas dos candidatos de oposição preferiram outro caminho para iniciar sua comunicação radiofônica iniciada, às 7 horas. No primeiro dia para os candidatos a prefeito, um resumo sobre suas trajetórias pessoal e política foi a linha adotada por Marta, Serra, Maluf e Erundina. Este mote foi repetido, às 13 horas e 20h30, na televisão,

A tendência de um tom plebiscitário, em relação aos quatro anos de administração petista, foi delineado durante o debate da TV Bandeirantes, no final do mês passado, e tende a ocorrer nos próximos dias, segundo os articuladores das campanhas dos partidos.

Ontem, entretanto, os ouvintes e telespectadores poderiam até imaginar que houve uma combinação entre os marqueteiros. Afinal, mesmo Marta falou sobre sua vida particular. Revelou detalhes de seus dois casamentos. O primeiro com o senador Eduardo Suplicy (PT), pai de seus filhos, Supla, André e João. Ela também discorreu sobre sua separação e posterior união com o argentino Luiz Favre, seu atual marido. "A separação foi dolorosa, mas necessária", confessou a prefeita. A seguir, ela juntou também elementos da carreira política como deputada federal e a primeira campanha vitoriosa ao cargo, em 2000. E como não poderia ser diferente, o presidente Lula aparece na peça, com a assinatura de Duda Mendonça. "Tenho uma enorme admiração por ele (Lula)", afirmou Marta.

É claro que não faltaram promessas. "Uma mulher de coragem", repetiu a prefeita no rádio, fazendo eco a incontáveis cartazes gigantes, espalhados por toda cidade, com o símbolo do PT. Ao mesmo tempo, os petistas enfatizaram que Marta precisa de mais um mandato para cuidar melhor da saúde.

Principal concorrente de Marta, segundo as pesquisas, Serra usou na campanha de rádio o mesmo formato de quando disputou - e perdeu - a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Exaltou sua biografia e experiência administrativas.

No programa, ele é retratado como candidato do "bem", que já foi deputado federal por dois mandatos, senador e ministro do Planejamento e da Saúde, durante o governo de Fernando Henrique. "Saúde é coisa que não se deixa para depois", afirmou Serra, unindo um compromisso de campanha e outra crítica ao que considera o maior ponto fraco de Marta.

Também afeito, a frases de efeito, programa de Paulo Maluf, disse que nasceu em família rica e que mora na mesma casa durante toda sua vida pública. "O bom prefeito vai voltar". Ele afirmou ainda que fará conjuntos habitacionais populares, além de restaurar o Plano de Atendimento à Saúde (PAS), que fizeram parte de sua administração anterior como prefeito.

Durante o programa, Maluf se mostrou bastante direto ao apresentar as propostas para a cidade e o que já foi realizado em sua última administração. O estúdio de gravação montado por sua equipe imita um escritório. O ex-prefeito fala sentado em cima de uma mesa com um quadro azul no fundo com a foto do elevado Costa e Silva, ou Minhocão, na região central.

Seguindo os mesmos passos dos adversários, o primeiro programa de Luiza Erundina (PSB), no rádio e na TV serviu para a candidata fazer uma apresentação da sua biografia política. Nos mais de dois minutos de programa, a candidata socialista se apresentou de maneira simples e direta. "Quero voltar a ser prefeita porque amo a cidade. Vou retomar a política habitacional e de saúde.

O candidato a vice, Michel Temer (PMDB), também teve espaço para mostrar aos eleitores sua trajetória. Devido a escassez de recursos, não foram utilizados avançados recursos técnicos. "Nossa campanha não terá malabarismo. Isso mostra que somos a verdadeira alternativa."