Título: Tesouro divulga dados para contestar Fórum Econômico Mundial
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 21/10/2004, Nacional, p. A-4
O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, divulgou ontem simulações para contestar dados de relatórios do Fórum Econômico Mundial (WEF), divulgados na semana passada, que "trazem importantes informações sobre a economia global, mas lançam um luz desfavorável sobre o Brasil".
De acordo com o relatório do WEF, o Brasil é pouco competitivo e pouco atraente para os investidores estrangeiros. A simulação do Tesouro Nacional está na página da secretaria na internet www.stn.fazenda.gov.br.
Segundo Levy, no entanto, análise mais detida no relatório do WEF mostra que a queda do Brasil no ranking de competitividade deve-se essencialmente ao enfraquecimento dos indicadores econômicos de 2002-2003. Pelas análises do secretário, isso reflete, com atraso, o choque externo que o Brasil sofreu em 2002, compensado desde então.
Levy lembra que o relatório é bastante positivo quanto à tecnologia no Brasil e à boa governança no setor público. Para ele, outro fato que deve ser analisado é a melhora na classificação de países como França, Austrália, Holanda e Japão.
Sem desconhecer que ainda existem espaços para as reformas, Levy ressalta tudo o que foi feito nesse sentido nos primeiros 20 meses do governo Luiz Inácio Lula da Silva, bem como o esforço da responsabilidade fiscal e o controle monetário, para superar desequilíbrios com raízes na década de 80. Além disso, ele destaca o declínio na relação dívida/PIB, pelo segundo ano consecutivo, e a previsão de crescimento da economia para este ano acima de 4%.
O crescimento em 2003, de 0,2%, foi justamente o indicador que mais prejudicou o Brasil no relatório do WEF. Enquanto o país é tradicionalmente classificado entre 40 e 60 para a maioria das variáveis, ficou em 75 no índice macroeconômico. "Se usássemos os dados hoje, estaríamos em algo entre 44 e 45", disse o secretário. O Tesouro, no entanto, não teve como atualizar a posição dos outros países com informações tambérm atualizadas, o que distorce a comparação, informou a agência Reuters.
Para Levy, se levadas essas e outras variáveis em consideração, o Brasil foi o país com o segundo maior salto na lucratividade, com a proporção de respostas positivas aumentando de 48% para 65% no relatório do WEF. O documento do Tesouro chama a atenção também para o fato de o indicador de análise de risco, gerado pela pesquisa do Fórum Econômico Mundial, ser subjetivo, mas "os resultados da pesquisa podem influenciar o preço dos ativos brasileiros e o apetite dos investidores estrangeiros".
Para os técnicos do Tesouro, porém, deve ser destacado que a proporção de investidores que consideram o Brasil um país de alto risco caiu de 54%, no início deste governo, para 35%. De acordo com Levy, "a percepção relativamente alta de risco deve, sem dúvida, ser contextualizada para o fato de o Brasil ser uma democracia bem estabelecida, que tem recebido investimentos estrangeiros por mais de um século, sem experimentar evento maior de expropriação não compensada ou convulsão social".
Ainda segundo o secretário, "as autoridades brasileiras estão convencidas de que o sucesso da agenda de reformas e a ausência de riscos políticos ou sociais relevantes na região serão fatores relevantes para proteger a economia brasileira de eventuais cheques nos fluxos de capital ou outros choques macroeconômicos de modo geral".