Título: UE-Brasil: cooperação, educação, inovação
Autor: Vassilou, Androulla
Fonte: Correio Braziliense, 04/04/2011, Opinião, p. 11

Comissária Europeia para Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude

No atual mundo globalizado e interdependente, a competitividade das nações e das regiões geográficas depende, de maneira crescente, da disponibilidade de pessoas altamente qualificadas e de sua capacidade de inovação. Nesse contexto, as instituições de educação superior desempenham uma função essencial, devido a seu papel crucial, ajudando as pessoas a desenvolverem seus conhecimentos, suas habilidades e suas competências, enquanto executam a pesquisa que propulsiona a inovação.

Nossa responsabilidade pela elaboração das políticas exige que criemos condições para que as instituições de educação superior realizem seu potencial pleno e maximizem sua contribuição à sociedade. Isso significa garantir o acesso dessas instituições a recursos suficientes ¿ de diversas fontes ¿, de maneira que consigam executar seu trabalho de modo eficaz, permitindo um equilíbrio adequado entre autonomia e prestação de contas (accountability) e habilitando as universidades a cooperar ativamente com o mundo ao seu redor ¿ na educação superior, no mundo dos negócios, ou no setor público, no próprio país ou em qualquer parte do mundo.

Esta minha primeira visita ao Brasil (de 3 a 9 de Abril) visa, especificamente, a promover essa cooperação, que acredito ser benéfica para todos os participantes.

A crescente cooperação constitui o alicerce da grande evolução da educação superior na Europa. Em 1999, os governos nacionais decidiram trabalhar conjuntamente para que os sistemas de educação superior fossem mais compatíveis e transparentes, embora respeitando a diversidade e natureza específica de suas instituições.

Esse trabalho conjunto resultou na criação de um único Espaço Europeu de Educação Superior, no ano passado. Essa cooperação, conhecida como Processo de Bologna por ter sido iniciada na cidade italiana na qual o primeiro acordo foi assinado, levou a títulos, sistemas de créditos e certificação de qualidade comparáveis. Isso permitiu que os estudantes, os docentes e os graduados aproveitassem ao máximo seus estudos e oportunidades de trabalho no estrangeiro.

A cooperação reforçada e a mobilidade resultantes das reformas no âmbito de Bologna promoveram a abertura das instituições europeias de educação superior a novas ideias e enfoques. Outras partes do mundo, incluindo a América Latina, a África e os Estados Unidos, também derivaram benefícios dessa evolução por meio dos projetos apoiados pela União Europeia.

Essa abertura é essencial para o aumento da qualidade e a promoção da excelência num ambiente internacional cada vez mais competitivo. A promoção de abertura, a cooperação e a mobilidade individual são elementos cruciais na estratégia da União Europeia de educação superior e alicerça os programas que financiamos de maneira a promover o desenvolvimento do setor. A dimensão internacional está no âmago da nossa estratégia.

Por exemplo, o programa Erasmus Mundus apoia o estabelecimento de programas de mestrado e doutorado com universidades no mundo inteiro, além de conceder bolsas de estudo aos melhores alunos em todas as regiões do mundo. Desde a criação do programa Erasmus Mundus, em 2004, mais de 1.700 estudantes e acadêmicos brasileiros tiveram a oportunidade de estudar e trabalhar na Europa.

Nosso programa Marie Curie provê suporte aos melhores pesquisadores, onde quer que estejam, e contribui para o fortalecimento dos laços entre a educação superior, a pesquisa e as empresas (o triângulo do conhecimento). Nos últimos quatro anos, 32 pesquisadores e 43 instituições brasileiras de pesquisa se beneficiaram com esse apoio.

No ano passado, os líderes da União Europeia acordaram que 40% dos jovens europeus deveriam ter educação superior ou uma qualificação equivalente até 2020. Precisamos trabalhar fortemente para estender os benefícios da educação superior a uma proporção maior de nossa população, especialmente nos grupos agora sub-representados. Precisamos garantir que as instituições de educação superior possam manter e desenvolver padrões de excelência no ensino e na pesquisa, e na promoção da empregabilidade de seus graduados.

Esses temas estão no cerne da agenda atualizada para a educação superior na Europa, que deverei apresentar ainda este ano. A cooperação e a parceria internacionais ¿ incluindo entre a Europa e o Brasil ¿ estão entre as ferramentas mais importantes para a consecução desses objetivos. A experiência e os conhecimentos especializados de outros são intrinsecamente enriquecedores: é indispensável assegurar, ao máximo, a exploração do potencial de cooperação e intercâmbio.