Título: Demanda internacional pode cair neste ano
Autor: João Mathias
Fonte: Gazeta Mercantil, 25/10/2004, Panorama Setorial, p. A-10
A expectativa é de o comércio exterior de milho diminuir para 76,415 milhões de toneladas métricas na safra 2004/05, segundo dados do relatório deste mês do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). O total representa um recuo de 2,3% sobre a safra do ano anterior, mas ainda mantém-se em patamar elevado em comparação à safra 2001/02, quando somou 74,544 milhões de toneladas métricas.
A expectativa de um fluxo menor do volume de milho no comércio internacional é in-fluenciada pela redução dos embarques dos principais países exportadores. Considerada como um dos significativos impactos no mercado mundial do cereal em 2004, a China, por exemplo, deve reduzir em pouco mais de 50% as suas exportações, para um volume de 4 milhões de toneladas métricas.
Em maio de 2004, a União Européia incorporou dez países do leste ao bloco e passou a contar com 25 nações agregadas. A ampliação da área tende a intensificar as negociações intrabloco e retirar parte do volume dos cálculos do comércio exterior.
Produção concentrada
O mercado mundial do milho é concentrado em poucos grandes produtores. Os três principais países do setor internacional do cereal, como Estados Unidos, China e Brasil, respondem por mais de 67% do volume global. No entanto, considerando o bloco econômico europeu, a participação brasileira cai para a quarta posição no volume global de produção do cereal.
Os Estados Unidos são os maiores cultivadores de milho do mundo. A expectativa é de somarem 294,99 milhões de toneladas métricas na safra 2004/05, 14,82% a mais que a estimativa de 256,905 milhões de toneladas métricas da safra 2003/04.
A China é o segundo maior produtor de milho, mas a colheita na safra 2003/04 teve uma queda de 4,5%. Caiu para 115,83 milhões de toneladas métricas. Na safra 2004/05, a projeção é de uma retomada para o patamar de 122 milhões de toneladas métricas. Analistas do setor indicam que a China deve passar de exportadora de milho para importadora do cereal, devido à sua crescente demanda interna.