Título: Parlamento israelense aprova plano de Sharon
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Fonte: Gazeta Mercantil, 27/10/2004, Internacional, p. A11

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, demitiu ontem um ministro e um vice-ministro de seu gabinete, pois eles votarem contra sua proposta - aprovada - de retirada dos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza no ano que vem, informou a imprensa israelense.

O ministro Uzi Landau e o vice-ministro Michael Ratzon receberam a carta de demissão, pouco depois de Sharon ganhar com folga uma votação-chave sobre sua proposta no Parlamento. Antes, Sharon ameaçou demitir todos os ministros de seu partido e vice-ministros de seu partido, o Likud, que votassem contra a retirada. Landau e Ratzon são contrários à saída de Gaza e lideraram uma oposição dentro do Likud.

Knesset, dividido

Já o Parlamento, mesmo dividido, ratificou o plano de Sharon para desocupar a Faixa de Gaza, passo importante para a retirada dos primeiros colonos dos territórios reivindicados pelos palestinos para um eventual Estado seu. Depois de dois dias de debates, o Knesset aprovou o projeto por 76-45 votos, com sete abstenções. Os EUA apóiam a desocupação, a ser feita em quatro etapas, até 2005. O processo só vai começar efetivamente depois de ser aprovado pelo ministério, em votação prevista para março.

A vitória teve um preço para Sharon: provocou ameaças de morte ao premiê, rachou o governo e voltou muitos membros de extrema-direita do seu partido, o Likud, contra ele. Durante a votação, o Parlamento foi cercado por colonos com cartazes chamando Sharon de traidor.

"Liquidamos [Yitzhak] Rabin e vamos liquidar Sharon", diz uma pichação em Jerusalém, aludindo ao primeiro-ministro assassinato em 1995, por um radical judeu, depois de firmar um acordo de paz com os palestinos. Para chegar à vitória, o governo precisou do apoio da oposição trabalhista, que pode vir a participar de uma coalizão caso o atual gabinete minoritário não resista.