Título: Ação realiza prisão de cinco executivos
Autor: Hugo Marques
Fonte: Gazeta Mercantil, 28/10/2004, Política, p. A-7

A Polícia Federal entrou ontem em São Paulo na sede da Kroll Associates, empresa especializada em investigações. A ação, que esteve baseada num mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 5ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, faz parte da Operação Chacal, iniciada pela PF e que aconteceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Distrito Federal.

O objetivo da operação é apurar o caso de espionagem que envolve a multinacional especializada em investigações.. A Kroll foi contratada pela Brasil Telecom, administrada pelo Grupo Opportunity, para ter informações sobre a Telecom Itália, com a qual disputava o controle da operadora de telefonia.

Somente em São Paulo, foram 16 mandados cumpridos até o início da noite de ontem. Na capital paulista, mais de 40 homens da Polícia Federal que entraram no escritório da Kroll na Zona Sul da cidade. A PF também entrou os escritórios da empresa na cidade de Ribeirão Preto, no interior paulista. Durante a ação, os policiais encontraram aparelhos de escuta telefônica que estavam em pleno funcionamento.

No total, são cinco presos: os executivos Eduardo Gomide e Vander Aloísio Giordano, a gerente de caso Júlia Marinho Leitão da Cunha, e os operadores de equipamento, Rodrigo de Azevedo Ventura e Ricardo Sanches. Todos foram incursos no artigo 288 do Código Penal formação de bando ou quadrilha). O delegado da Polícia Federal, Romero Menezes, um dos encarregados pela execução da Operação Chacal em São Paulo, disse que a maioria das pessoas que foram alvo dos mandados de busca e apreensão executados no caso Kroll-Opportunity deverão ser indiciadas.

Segundo o delegado, os indiciamentos podem correr se for comprovado que os contratantes dos serviços de espionagem da Kroll - o Grupo Opportunity e a Brasil Telecom - utilizaram informações ilegais em benefício de seus interesses. "Quem contrata e permite que a informação desejada chegue a ela de forma ilegal e toma conhecimento disso, inclusive faz uso dessa documentação, também comete crime", ressaltou o delegado da PF.

A Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, e a Polícia Federal vêm investigando a Kroll e já produziram 80 arquivos de informações sobre espionagem e estavam prontos para dar continuidade na operação.