Título: O lucro líquido da AmBev cai 61,3% no terceiro trimestre
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Fonte: Gazeta Mercantil, 04/11/2004, Indústria & Serviço, p. A11

A AmBev - Companhia de Bebidas das Américas anunciou ontem lucro líquido de R$ 131,7 milhões no terceiro trimestre encerrado em setembro, ante R$ 340,4 milhões de igual período do ano passado. O resultado ficou abaixo das expectativas de analistas consultados pela Reuters, devido a maiores despesas com vendas e aumento nos custos financeiros. Uma pesquisa realizada com cinco analistas previa um lucro de R$ 422 milhões no período, 24% acima do registrado um ano antes. No entanto, houve queda de 61,3%.

O resultado operacional medido pelo Ebitda ( lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) de julho a setembro foi de R$ 1,136 bilhão, ante R$ 777,8 milhões em igual trimestre de 2003. O número foi maior do que o esperado pelos analistas, cuja previsão média era de R$ 980 milhões de Ebitda. Esse resultado inclui a contribuição da cervejaria canadense Labatt, adquirida em agosto.

"Apesar dos maiores gastos dedicados ao fortalecimento de nossas marcas, a margem de Ebitda de cerveja manteve-se em 43,6%. Em refrigerantes e bebidas não alcoólicas, alcançamos uma margem recorde de Ebitda de 31,1%, estabilizando ao mesmo tempo nosso market share acima de 16%", afirmou o diretor geral da AmBev, Carlos Brito, em comunicado distribuído pela companhia.

A receita líquida foi de R$ 2,951 bilhões, ante os R$ 2,02 bilhões do terceiro trimestre de 2003. A empresa atingiu em setembro 67% de participação no segmento de cervejas, um ponto percentual acima do verificado em 2003, segundo a ACNielsen. Houve um incremento de 17,1% no volume de vendas de cervejas no mercado nacional e a receita líquida do segmento cresceu 17,2%, para R$ 1,686 bilhão.

As despesas com vendas, gerais e administrativas consolidadas da AmBev somaram R$ 863,1 milhões e cresceram 59,1% em relação ao mesmo período de 2003. O Brasil consumiu 66% desse valor, ou R$ 565,9 milhões, alta de 22,9 %. A receita financeira foi negativa em R$ 46,106 milhões de reais, comparada a valor positivo de R$ 152,77 milhões em 2003. Com isso, o resultado financeiro também caiu, de um prejuízo de R$ 108,706 milhões para perdas de R$ 138,314 milhões no terceiro trimestre de 2004. "O Ebitda foi maior que o esperado, mas depois vieram os custos financeiros que comeram um pedaço maior que o esperado da receita", disse Pedro Galdi, analista da corretora do ABN Amro Real em São Paulo.

A AmBev informou que despesas relativas a unidades estrangeiras como a argentina Quinsa e a canadense Labatt, assim como perdas com a variação cambial, levaram a custos de R$ 332,7 milhões no trimestre. No mesmo período de 2003, houve ganho de R$ 5,4 milhões.

InBev lucra 60% mais

A InBev, a segunda maior cervejaria mundial anunciou aumento de 60% no lucro do terceiro trimestre com o aumento das vendas da Rússia, Ucrânia e China, informou a Bloomberg. Os lucros antes dos juros e dos impostos aumentaram para ¿ 728 milhões (US$ 922 milhões), ante os ¿ 455 milhões de 2003, disse Patrick Verelst, diretor de relações com investidores da InBev. O lucro inclui um mês de ganhos da AmBev, comprada este ano por US$ 11,2 bilhões. John Brock, principal executivo da InBev, levou a fabricante das marcas de cerveja Stella Artois e Rolling Rock realizar aquisições no Brasil, no Leste Europeu e na China para compensar o fraco desempenho na Europa, agora a empresa obtém 49% de seu lucro em mercados emergentes, comparativamente a um terço da Heineken.