Título: Indústria apresenta proposta de reforma
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Gazeta Mercantil, 05/11/2004, Nacional, p. A4

Os recursos públicos destinados às universidades decresceram de R$ 780 milhões em 1994 para R$ 470 milhões nos últimos orçamentos. Em busca de uma solução para o problema, o setor industrial entregou ontem ao ministro da Educação, Tarso Genro, algumas sugestões de diretrizes para a reformular a educação universitária. Entre elas a ampliação de 3,9 milhões para 10 milhões no número de alunos de instituição de ensino superior até o fim da década, a expansão dos cursos relacionados à inovação e a ampliação do financiamento.

O ministro informou que até o fim deste mês o projeto que institui as bases da reforma universitária será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que em 2005 começa a ser implementado o programa "chão de fábrica", por meio do qual 500 escolas funcionarão em empresas com a finalidade de se acelerar o acesso de trabalhadores a cursos profissionalizantes.

Convidados a participar da reformulação da educação universitária os industriais contrataram uma consultoria para a elaboração de um relatório específico sobre o assunto. Desse estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) despontou quase que um diagnóstico sobre as deficiências do atual modelo de educação adotado para as 163

universidades públicas e privadas.O relatório citou como uma das principais deficiências a excessiva concentração (68,7%) dos cursos de graduação na área das ciências sociais. As ciências agrárias, exatas e engenharia participam com 1,9%, 4,1% e 10,8%, respectivamente. Essa distribuição irregular é incompatível com as bases de crescimento, se considerado que a política industrial adotada selecionou as áreas de semicondutores, software, fármacos e de bens de capital.

O presidente da CNI, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), disse ser necessária a liberação dos recursos dos fundos setoriais para o fomento da pesquisa científica e tecnológica.