Título: Em SP, governadores do PMDB pressionam pela independência
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Gazeta Mercantil, 05/11/2004, Política, p. A8

Independência em relação ao governo e candidatura própria do partido à presidência da República em 2006. É com esse discurso que a maioria dos seis governadores do PMDB desembarca hoje em São Paulo para a primeira reunião dos chefes dos Executivos estaduais do partido depois das eleições municipais. O encontro, organizado pelo presidente nacional da legenda , deputado Michel Temer (SP), ocorrerá hoje pela manhã num hotel da capital paulista e será um aperitivo para a reunião do próximo dia 10 com a presença da Executiva Nacional, bancada federal no Senado e Câmara e presidentes de diretórios regionais em Brasília.

Oficialmente, o objetivo do encontro é discutir os rumos do partido para 2006 a partir dos resultados das urnas nas eleições municipais. "Quero ouvir a base do partido para saber os rumos que o PMDB deverá tomar a partir de agora", afirmou Michel Temer.

A maioria dos governadores do PMDB -Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Distrito Federal- já pressiona a cúpula do partido pelo rompimento com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a conseqüente entrega dos cargos. É o caso da governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Mattheus, de Germano Rigotto (Rio Grande do Sul), Jarbas Vasconcelos (Pernambuco) e de Joaquim Roriz, do Distrito Federal. A posição do governador gaúcho já é pública. Os embates cada vez mais freqüentes entre PT e Garotinho fazem com que um abismo separe a governadora do Rio do governo federal. Roriz, por sua vez, sempre deixou claro sua contrariedade quanto à presença de integrantes do partido na estrutura administrativa federal. Durante a semana, foi a vez do secretário de governo de Jarbas, Dorani Sampaio, defender a entrega dos cargos que o partido ocupa no governo federal.

Ontem, o governador Luiz Henrique, de Santa Catarina, provavelmente o único ausente da reunião, por estar cumprindo uma agenda oficial na Polônia, transmitiu a Temer por telefone a defesa da independência da sigla em relação ao governo e candidatura própria do partido à presidência da República em 2006. "Pode levar essa minha opinião à reunião", disse Luiz Henrique a Temer.

A conversa foi confirmada pela assessoria do presidente nacional do PMDB. Coincidência ou não, todos governadores favoráveis ao rompimento são ferrenhos adversários do PT em seus estados. E não se sentiram contemplados nos acordos celebrados com o PT para o pleito municipal, contrariando a versão do presidente nacional do PT, José Genoino, de que, houve um equilíbrio dos apoios dados e recebidos entre petistas e aliados. Agora, cobram a fatura. Querem reciprocidade regional em 2006 para continuar a cerrar fileiras pela governabilidade.

"O PMDB não quer ser um partido satélite como o PTB. Queremos exercer o nosso papel na governabilidade", disse um peemedebista ligado a Temer. Rema contra a maré, o governador do Paraná, Roberto Requião, representante da ala do PMDB alinhada com o presidente Lula. Na reunião de hoje, no entanto, será voto vencido por seus correligionários.