Título: Governo suspende licenças para zonas de desenvolvimento
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 25/08/2004, Internacional, p. A-11
O governo da China suspendeu mais de 4,8 mil zonas de desenvolvimento industrial, como parte de uma campanha para controlar o crescimento da economia e frear o uso de terrenos de cultivo agrícola para outros fins. A economia cresceu 9,7% no primeiro semestre do ano, portanto acima do objetivo do governo, de 7%.
Segundo o ministério de Terra e Recursos, quase 70% das 6.866 zonas de desenvolvimento industrial do país foram construídas em terrenos adquiridos de forma irregular, ou foram abandonadas após um período inicial de utilização. "Muitas destas áreas não são interessantes para os investidores", afirmou Shu Kexin, subdiretor-geral do departamento de Aproveitamento e Gestão da Terra, ao jornal China Daily.
Dentre as áreas para as quais foram retiradas a licença de operação, muitas ainda estão em fase de projeto e preparação. Um total de 24,9 mil quilômetros quadrados de terrenos foram liberados, embora 1,3 mil deles tenham sido novamente usados como terrenos de cultivo, segundo um relatório do ministério.
A China está preocupada com a constante redução de terrenos cultiváveis, devido à rápida urbanização, ao confisco para usos industriais e à desertização em amplas regiões. Além disso, muitas destas áreas, promovidas pelos governos locais desde meados dos anos 80, não atingiram o objetivo de atrair investimento local e estrangeiro, em troca de lucros e vantagens fiscais.
Muitas destas áreas eram simples zonas de terreno sem a infra-estrutura necessária, com má comunicação e pouco atrativas para os investidores, que preferem se instalar perto dos grandes centros de consumo e distribuição para seus produtos.
O excessivo desenvolvimento destas áreas pode provocar riscos financeiros, porque são construídos com empréstimos bancários, que depois não podem ser devolvidos pela falta de investimentos, disse Shu. Além disso, as autoridades tentam frear o excesso de investimento em certas indústrias "requentadas", como a de ferro, aço e cimento, por considerar que ameaçam o desenvolvimento sustentável.
Gangues
Segundo uma agência de notícias do país, as gangues na China podem ter até um milhão de membros. Apesar de seu conluio com as autoridades, nenhuma é liderada por um chefão da máfia ao estilo das sociedades secretas do passado.