Título: Política externa será agressiva, diz Powell
Autor: Reuters e Dow Jones Newswires
Fonte: Gazeta Mercantil, 10/11/2004, Internacional, p. A-9
O presidente dos Estados Unidos (EUA), George W. Bush, conquistou um novo mandato para implementar uma política externa agressiva, disse Colin Powell, secretário de Estado norte-americano, em entrevista ao jornal britânico Financial Times. De acordo com o secretário, Bush não tem planos de retroceder em suas políticas e insistiu que o presidente reeleito obteve um mandato para defender os interesses dos EUA nos assuntos internacionais.
"O presidente não retrocederá", disse. "Será uma continuação de seus princípios, de suas políticas, de suas crenças". Powell não mencionou nenhum país ou região, mas afirmou que a política externa norte-americana havia sido "agressiva no sentido de enfrentar seus desafios, suas questões", e que Bush "continuaria caminhando nessa direção". O secretário, que é visto como um dos possíveis secretários a deixar o governo no próximo mandato, disse que o governo Bush tentaria atrair aliados da comunidade internacional e tentaria implementar uma política externa que fosse "multilateral em sua natureza". Mas afirmou que o país agiria sozinho quando necessário.
Questionado sobre os conflitos no Oriente Médio, Colin Powell respondeu que uma transição de poder na liderança palestina poderia abrir a oportunidade para avanços no processo de paz, atualmente paralisado.
Ao participar ontem, na Cidade do México, da sessão inaugural da Comissão Binacional EUA-México, que reúne anualmente altas autoridades dos dois países, afirmou reconhecer que houve uma guinada à esquerda em vários países sul-americanos. Mas disse que ele não está "profundamente preocupado com isso". "Quero trabalhar com quem o povo eleger naqueles países", afirmou.
O secretário disse que não está chocado com o fato de as pessoas na região fazerem opções diferentes quando vão às urnas, se não viram o tipo de progresso que esperavam. Como exemplo da tendência esquerdista, citou a eleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, disse que Lula "vem agindo com bastante responsabilidade em relação à política econômica e fiscal".
Powell não quis comentar as implicações da eleição, semana passada, de uma coalizão esquerdista no Uruguai.
No México, o secretário disse que Bush dará alta prioridade no seu segundo mandato à legalização de milhões de imigrantes que vivem ilegalmente nos Estados Unidos. O México é a principal fonte de 10 milhões de imigrantes sem documentos que moram no país. Convencer Washington a levar adiante a reforma da imigração é uma das principais metas do governo do presidente Vicente Fox. Em janeiro passado, em uma aparente tentativa de atrair os votos de hispânicos e segmentos da comunidade comercial norte-americana, Bush divulgou uma reforma da imigração, cujo aspecto chave forneceria status legal temporário a imigrantes ilegais, desde que estejam empregados. Em dez meses desde que Bush anunciou a proposta, esta não avançou nem um passo.
Powell reconheceu não estar claro como o novo Congresso, que tomará posse em janeiro, lidará com a questão.