Título: Embargo russo fez as vendas de suínos caírem em outubro
Autor: Neila Baldi
Fonte: Gazeta Mercantil, 12/11/2004, Agribusiness, p. B-12

O embargo russo às carnes brasileiras, desde 17 de setembro, provocou redução das vendas externas de suínos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), as exportações no mês passado foram 10,5% menores, totalizando 44,49 mil toneladas. Na próxima semana, veterinários russos estarão no Brasil avaliando a região afetada por aftosa, motivo da restrição.

Ontem, em reunião com parlamentares da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, o embaixador russo no Brasil, Vladimir Tyurdenez, disse que não se trata de um fato político ou econômico, mas técnico. Segundo parlamentares, ele informou que irá pleitear junto ao governo uma solução rápida, mas foi categórico ao afirmar que a resolução vai depender da avaliação dos veterinários. No dia 21, o presidente Vladimir Putin estará no País.

Apesar da redução nos volumes, em outubro, a receita cambial com a venda de suínos foi maior que no mesmo período de 2003: US$ 77,33 milhões (alta de 19,2%). No acumulado do ano, as remessas totalizaram US$ 611,86 milhões (35,05%), e 417,6 mil toneladas, ou 0,2% a menos que de janeiro a outubro.

"A montanha-russa não derrubou a carne suína", disse o diretor-presidente da Abipecs, Pedro Camargo Neto. Segundo ele, a queda nas vendas foi pequena e ainda não há prejuízo, pois as vendas internas estão aquecidas. Apesar disso, a projeção da Abipecs é que o volume exportado no ano seja próximo ao de 2003 (490 mil toneladas), com receita cambial de US$ 700 milhões. Camargo Neto acredita que o embargo cai com a vinda do presidente russo, que estará discutindo a entrada de seu país na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Se a Rússia quer entrar na OMC, precisa seguir as regras internacionais e não pode desrespeitar as normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)", disse Camargo Neto, referindo-se ao fato de nenhum outro membro questionou o foco.

Apesar do volume menor, em receita o Brasil está exportando mais, pois houve valorização do preço do suíno e ampliação de mercados. No acumulado do ano, o preço médio dos suínos ficou em US$ 1.465 a tonelada (alta de 36% sobre 2003) e o Brasil conquistou 21 novos países.