Título: Um milhão de jovens estão desempregados
Autor:
Fonte: Gazeta Mercantil, 16/11/2004, Internacional, p. A-12
Apesar da reativação da economia e dos problemas sociais, há na Argentina, país que no início do século passado foi um dos mais ricos do mundo, 1 milhão de jovens de 15 a 24 anos que não estudam e nem trabalham, em meio a uma população de 37 milhões de pessoas. Na província de Buenos Aires, onde se concentra mais de um terço da população, um em cada cinco adolescentes, ou 380 mil, não tem emprego ou integra o sistema educacional, segundo o ministério provincial de Desenvolvimento Social.
As autoridades educacionais admitem que mais de cem mil alunos (13%) do ensino médio abandonaram os estudos, ou um em cada oito matriculados, apesar de após a crise econômica de 2001 terem se multiplicado as bolsas de estudo. O diretor de Educação, Mario Oporto, afirmou que a alta evasão é uma conseqüência do próprio esforço do sistema para aumentar a escolarização. "A escola aumentou as matrículas nos últimos dez anos e incorporou os setores mais vulneráveis, que são muito difíceis de reter no sistema educacional." Oporto cita como causas da evasão "o fracasso escolar, pois muitos jovens deixam de estudar diante da possibilidade de repetir de ano, e alguns ficam em casa para cuidar dos irmãos, enquanto seus pais trabalham".
Na cidade de Buenos Aires, a evasão está em torno de 8% da matrícula inicial. Quinze mil jovens deixam os estudos no nível médio, mais da metade nos três primeiros anos. Mas a realidade sócio-econômica é muito diferente da dos subúrbios, disse Daniel Santa Cruz, porta-voz da secretaria de Educação da capital. As condições adversas aumentam a vulnerabilidade de um setor que requer proteção mesmo em situação normal e na maior província argentina, a metade dos jovens vive abaixo da linha da pobreza.
Com a crise econômica, o desemprego do país chegou a 17,4% em 2001. Hoje, mesmo com a recuperação, está em 14,8%. Se considerados os quase 2 milhões de beneficiários de subsídios de 150 pesos (US$ 50) mensais, superaria 20%. O problema é pior nas faixas mais jovens de trabalhadores. O censo de 2001 registrou 46% de desemprego na faixa entre 15 e 19 anos e de 24,8% entre os 20 e os 24 anos. Com pais que perderam ou vêem seriamente afetada sua perspectiva profissional, os jovens sem acesso a um primeiro emprego vêem afetada a possibilidade de construção de um projeto de vida, disse a organização não-governamental Assembléia Permanente de Direitos Humanos.