Título: Para FMI, China desacelerou crescimento, mas risco persiste
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Fonte: Gazeta Mercantil, 26/08/2004, Internacional, p. A-11

A economia da China desacelerou o crescimento para um ritmo mais sustentável, mas o risco de aquecimento excessivo permanece, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma mudança para um sistema cambial mais flexível ajudaria o governo a diluir a ameaça de que a rápida expansão econômica poderia provocar inflação, acrescentou o FMI em sua análise anual "Article IV" da economia chinesa.

"Uma preocupação crucial de curto prazo é de que, apesar dos recentes sinais de moderação no acelerado ritmo de investimento e crescimento econômico, um pouso suave da economia ainda não está garantido", segundo um resumo das discussões da diretoria executiva do fundo divulgado à imprensa.

A economia da China expandiu-se à taxa anual de 9,7% durante o primeiro semestre de 2004, impelindo o FMI a elevar suas previsões do crescimento econômico para o ano todo a 9%. O nível é superior à previsão de 8,5% feita pelo FMI no seu relatório Perspectivas Econômicas Mundiais divulgado em abril. À medida que os efeitos de uma política monetária mais dura prosseguirem até 2005, a atividade econômica deve manter um ritmo mais sustentável, disse o FMI. A equipe do fundo prevê que o crescimento econômico perderá velocidade e atingirá cerca de 7,5% em 2005, comparados com a projeção anterior de 8%.

Manter a economia nos trilhos exigirá que a China adote "políticas macroeconômicas prudentes e reformas estruturais aceleradas nas áreas-chave, incluindo o setor bancário, empresas estatais e mercados de trabalho", disse o FMI. Durante anos, o fundo instou a China a introduzir mais flexibilidade ao seu sistema cambial para facilitar a economia a se ajustar às condições financeiras em mudança. Recentemente, enquanto o déficit comercial dos EUA com a China explodia e os fabricantes americanos enfrentavam a recessão, a moeda chinesa indexada ao dólar tornou-se uma fonte de atrito.