Título: Produtor colherá safra recorde de trigo
Autor: Neila Baldi
Fonte: Gazeta Mercantil, 26/08/2004, Agribusiness, p. B-12

Colheita vai atingir meta prevista para 2007, com volta do crescimento em áreas tradicionais. O Brasil vai colher uma safra recorde de trigo de 6,2 milhões de toneladas, ou seja, quase 60% do consumo nacional, superando a meta prevista pelo governo para 2007. Ao contrário do previsto, o aumento está ocorrendo nas zonas tradicionais e não no cerrado.

A produção atual de trigo é a maior desde 1986/87 e, este ano, vai responder por aproximadamente 55% a 60% do consumo nacional. A área da safra atual cresceu 9% no Sul do País, enquanto no Centro-Oeste a variação foi de 6%.

Os bons preços da commodity em 2002 e a boa produtividade registrada na safra passada incentivaram o cultivo nas regiões tradicionais. Em Guarapuava (PR), a área aumentou 10%, chegando a 70 mil hectares. É a maior dos últimos 10 anos. "Crescemos em áreas que antes ficavam ociosas no inverno", afirma Anton Gora, diretor-financeiro do Sindicato Rural de Guarapuava. No noroeste do Rio Grande do Sul, os associados da Cooperativa Tritícola Três de Maio (Cotrimaio) aumentaram em 20% a área cultivada, totalizando 100 mil hectares.

Segundo Rafael Albuquerque, supervisor de grãos da cooperativa, o crescimento dos últimos dois anos é resultado da troca do milho pelo grão, que era mais rentável economicamente. Além disso, este ano, com a quebra da safra de soja, muitos produtores buscaram no trigo a reversão dos prejuízos.

Exportação menor

De acordo com a Cogo Consultoria, apenas 5% da safra brasileira está colhida. Apesar disso, os preços já estão em baixa. O cereal está sendo cotado a R$ 430 a tonelada no Paraná e R$ 400 no Rio Grande do Sul, segundo analistas de mercado.

Aliado a isso, o consultor Carlos Cogo acrescenta que, ao contrário do ano passado, o ritmo das exportações está menor. Na safra passada, o País comercializou com o exterior 1,34 milhão de toneladas. Para este ano, não deve vender mais de 800 mil toneladas.

A baixa dos preços também é decorrente do fato de o Brasil estar produzindo mais da metade de seu consumo, alcançando a meta para 2007, prevista em 2002 quando o governo federal lançou um programa de revitalização da cultura, elevando os preços mínimos da região Centro-Oeste do País.

Outro fator determinante para a depressão dos preços internos é o fato de o cenário mundial também ser de tendência baixista, pois os estoques estão altos. A safra mundial do grão será de 608,6 milhões de toneladas, a segunda maior desde 1997.

Contratos de opção

Com os preços em queda, os produtores começam a se mobilizar para pedir auxílio na comercialização. Ontem os produtores estiveram reunidos com a bancada ruralista solicitando que o governo lance contratos de opção para 35% da safra a preços próximos de R$ 450 a tonelada, para vencimento entre novembro e dezembro.

"Precisamos ter garantia de comercializar a acima do mínimo", afirma Robson Mafioletti, assessor técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Além disso, eles querem que sejam realizados os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para escoar o grão para o Norte, Nordeste e Espírito Santo e libere recursos para a Linha Especial de Crédito à Comercialização (LEC), Empréstimos do Governo Federal (EGF) e Aquisição do Governo Federal (AGF).

O setor produtivo solicitou ainda ao Congresso Nacional a alocação de recursos para a comercialização da safra 2004/05 no Orçamento Geral da União, a inclusão do produto na lista de isenção de PIS/Cofins e a unificação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para 7% na venda interestadual.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ivan Wedekin, diz que o governo irá apoiar o setor, mas ainda não tem definido, por questões orçamentárias, quais seriam os instrumentos. Ele disse ainda que provavelmente haverá aumento nos recursos destinados à comercialização no Orçamento Geral da União e que o trigo é um dos produtos preferenciais para os contratos de opção privada, que serão lançados ainda este ano.

Seca no Sul

Aliado aos preços em queda, os produtores também enfrentam estiagem, que pode provocar quebra de produtividade. No centro-sul do Paraná não chove há 30 dias. Mas, segundo Gora, ainda não dá para calcular a perda na produtividade. Naquela região, o trigo encontra-se em fase de enchimento do grão e a colheita ocorre em novembro.

"Ainda não tem notícia de que vai haver quebra de safra por causa da seca, mas alguma coisa vai afetar", diz Lobo. No noroeste do Rio Grande do Sul as chuvas também têm sido insuficientes. Segundo Albuquerque, o déficit hídrico poderá afetar a produtividade do grão.

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 12)(Neila Baldi)

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